MIAMI - Para um centro de turismo e de negócios internacionais, o ano de 1996 deveria ser inesquecível para Miami. Só em julho dois grandes eventos foram realizados: os jogos de futebol das Olimpíadas, e a comemoração do centenário da cidade. Mas Miami chega ao final deste ano numa situação melancólica, correndo até mesmo o risco de ser extinta como cidade. Tudo porque uma rede de corrupção tomou conta da prefeitura e deixou um déficit de US$ 68 milhões.
Inconformados com os abusos políticos, um grupo de empresários está propondo e financiando a realização de um plebiscito que pode decidir pela extinção jurídica da cidade, a qual seria incorporada como área não autônoma ao Condado de Dade (que engloba outras 27 cidades).
A proposta é polêmica, mas reflete o tamanho da insatisfação de alguns setores. Principalmente daqueles que mais pagam impostos e não se conformam com o descaso dos políticos em relação ao dinheiro público. Aliás, um mal universal. A diferença aqui é que a investigação não fica na Câmara de Vereadores.
O FBI entrou na parada, e o ex-administrador César Odio está sendo acusado de envolvimento com o vereador Niller Dawkins e o diretor de finanças Manohar Surana - os dois últimos já confessaram, para aliviar a pena, a participação no esquema de corrupção.
Um abaixo-assinado já colheu 20 mil assinaturas (o mínimo é de 13 mil) para a realização do plebiscito. Caso a comissão de votação acate o pedido, o referendo popular poderá ser realizado em 120 dias.
O novo prefeito de Miami, Joe Carolli, que ajudou a desvendar o escândalo, assim que tomou posse chegou a pedir ao governador que referendasse a falência financeira da cidade, possivelmente querendo com isso ganhar fôlego para negociar as dívidas.
Mas o governo ainda não anunciou uma posição definitiva. A extinção de Miami, a mais importante e conhecida cidade da Flórida, seria um golpe negativo contra o próprio Estado.

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