Washington- A elaboração de um plano detalhado de reconstrução para as nações afetadas pelo maremoto no Oceano Índico poderá levar até três meses, disse ontem o presidente do Banco Mundial (BM), James Wolfensohn, que afirmou ser contra a aceleração do processo. Wolfensohn afirmou que as comunidades devastadas pelo maremoto de 26 de dezembro precisam de tempo para se recuperar após o desastre antes de participar, com as autoridades, de programas de reconstrução. ''Iniciar o processo sem incluir as pessoas afetadas provavelmente não funcionará'', disse o presidente do Banco Mundial em uma entrevista coletiva ao retornar a Washington após percorrer as áreas devastadas na Indonésia, Sri Lanka e Maldivas.
Estima-se que a catástrofe possa ter deixado até cinco milhões de pessoas desabrigadas, sem comida e água potável. ''Creio que levará cerca de um mês ou dois, ou até três meses, para que sejam concluídos os detalhes'' de um plano de reconstrução, afirmou Wolfensohn.
O presidente disse que entre a metade e um terço dos funcionários públicos das áreas afetadas morreram, o que dificulta ainda mais a elaboração de um plano. Serão necessárias cerca de duas semanas para que se conclua uma avaliação preliminar da destruição causada em cada país para se ter um panorama ''geral'' de suas necessidades.
A ONU afirmou que será necessário organizar a maior operação de ajuda humanitária em seus cerca de 60 anos de história para fazer frente a essa tragédia, e pediu 977 milhões de dólares em ajuda imediata. Em Genebra, anteontem, os doadores ofereceram 717 milhões de dólares -incluindo 250 milhões do Japão, para ajuda de emergência- quantia que os funcionários da ONU celebraram como uma resposta sem precedentes a um desastre natural. O próprio Banco Mundial tinha anunciado que destinaria 250 milhões de dólares aos esforços iniciais de reconstrução, e Wolfensohn afirmou ontem que a quantia poderia aumentar entre 1 e 1,5 bilhão de dólares.

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