Plano de Sharon provoca controvérsia
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sábado, 20 de dezembro de 2003
Charly Wegman<br>France Presse 
Jerusalém O discurso pronunciado na véspera pelo primeiro-ministro israelense Ariel Sharon sobre uma mobilização unilateral nos territórios palestinos causou ontem consternação e mal-estar tanto em Israel como entre os palestinos.
Esta iniciativa, que Sharon qualificou de ''estritamente de segurança'', deve ocorrer ''dentro de alguns meses'', se os palestinos não respeitarem os compromissos que assumiram ao aprovar o ''mapa da paz'', o último plano de paz internacional.
Nesse caso, algumas colônias judias seriam desmanteladas e outras anexadas
ao território israelense.
Segundo o principal jornal palestino, Al Quds, este discurso foi ''um balão de ensaio'' destinado ao fracasso, pois ''não apresentou nada de novo'', nem deu detalhes sobre as medidas unilaterais mencionadas.
''Estou decepcionado que ele (Sharon) ameace os palestinos, dando-lhes um prazo, antes de começar a sair'' unilateralmente dos territórios, declarou à AFP o primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei.
O dirigente da oposição trabalhista, Shimon Peres, também criticou o plano. ''Israel não pode separar-se unilateralmente dos palestinos sem provocar sua cólera. Por outra parte, o Quarteto (Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Européia) estima que o 'muro de segurança' (construído na Cisjordânia) contraria o mapa da paz'', afirmou Shimon Peres. De acordo com Peres, ''os palestinos não poderão responder às expectativas israelenses lutando eficazmente contra o terrorismo'' no prazo dado por Sharon.
Ao mesmo tempo, os colonos israelenses estão indignados. ''Estamos nos sentindo como soldados que foram enviados para a primeira linha e que sofrem disparos nas costas'', declarou aos jornalistas um de seus dirigentes, Uri Ariel.
Em uma entrevista publicada pelo jornal Yediot Aharonot, Sharon reiterou ontem sua intenção de retirar os colonos. ''É muito triste nos separarmos de nossas colônias, mas é preciso fazer todos os esforços possíveis para conseguir a paz e temos de pagar um preço'', afirmou.
Embora todos os jornais israelenses sem exceção tenham destacado que Sharon parece ter renunciado ao sonho da colonização dos territórios ocupados, estão divididos quanto à ambiguidade da iniciativa.
''Sharon se separa de Sharon. Separou-se de sua verdadeira herança espiritual: as colônias'', afirmou o Yediot Aharonot. O Maariv, por sua vez, assinalou que Sharon ''deixou todas as opções abertas ao fazer promessas que não o comprometem''.


