São Paulo - O emissário da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, disse ontem ao Conselho de Segurança que seu plano de paz para o país pode ser ''a última oportunidade de evitar uma guerra civil'', disseram fontes diplomáticas.
Annan manifestou ainda o seu temor de que a tortura, as prisões em massa e outras violações dos direitos humanos estejam se ''intensificando'' na Síria. O emissário disse ao Conselho que as pessoas conhecidas na Síria por apoiarem a não violência no levante foram presas pelo governo.
A comunidade internacional continua a solicitar o cumprimento do plano de Annan na Síria e o progressivo desdobramento de observadores das Nações Unidas no local para o início de um diálogo político no país que permita fechar a crise e a violência atual.
O plano de paz proposto por Annan contempla o fim da violência, a retirada dos tanques das cidades, a libertação dos detidos de forma arbitrária e o início de um diálogo entre o governo e os opositores, entre outros pontos.
Annan afirmou ainda que cabe a Assad assumir a ''responsabilidade básica'' para acabar com os confrontos armados e ''criar um ambiente que conduza a um processo político''.
A oposição síria denunciou recentemente uma ''escalada das prisões'', o que viola o plano de paz que prevê, além do fim da violência, a libertação de pessoas detidas durante a revolta que afeta o país há 14 meses.
O relatório de Annan, com base em relatórios dos sessenta observadores no terreno, foi divulgado um dia depois das eleições parlamentares boicotadas pela oposição e condenadas pela comunidade internacional, particularmente pelo chefe da ONU, Ban Ki-moon. O mundo está ''envolvido em uma corrida contra o tempo para evitar uma guerra civil'', insistiu Ban Ki-moon.
Segundo a agência de notícias oficial Sana, 14 veículos e equipamentos de comunicações para os observadores chegaram de avião a Damasco nesta terça-feira.
Na sexta-feira, o porta-voz de Annan havia considerado que o plano para acabar com a crise estava ''nos trilhos''. No entanto, mais de 800 pessoas morreram desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 12 de abril, de acordo com Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
A violência no país já matou quase 12 mil pessoas desde março de 2011 - a maioria civis - e mais de 25 mil continuam detidas, de acordo com OSDH. Ontem seis civis morreram nas províncias de Idlib (Noroeste), Homs (Centro) e Damasco. Além disso, o Exército bombardeou Qalaat al-Madiq e Krak (Centro), segundo o OSDH. Segunda-feira, dia de votação no país, os militantes contabilizaram 25 mortes.

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