Plano de Menem ameaça a economia da Argentina
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segunda-feira, 20 de julho de 1998
Vladimir Goitia Agência Estado 
A política argentina, que tomou rumo inesperado nas últimas semanas, começa a preocupar os investidores estrangeiros, que acreditam que a campanha de reeleição do presidente Carlos Menem trará efeitos negativos para a economia do país. Analistas especializados em mercados emergentes afirmam que já existem provas de que Menem estaria disposto a sacrificar aspectos das reformas econômicas, consideradas essenciais pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca da reeleição. Outro temor é que a campanha de Menem para um terceiro mandato conduza o sistema político do país para uma crise sem precedentes, o que, a longo prazo, seria igualmente negativo.
A reeleição de Menem seria negativo no aspecto político para a Argentina, porque ambições pessoais estão levando a modificar a Constituição a cada quatro anos, disse à Agencia Estado José Costa Buck, analista do Robert Flemings Argentina. Buck acredita, entretanto, que, no aspecto econômico, a questão ainda está sob controle, já que as contas do país e a economia estão bastante sólidas, devido ao cumprimento de algumas metas com o FMI. A Argentina sempre teve uma historia política conturbada e, a cada eleição, temos esse tipo de brigas internas, razão pela qual não vejo efeitos muito negativos em termos macroeconômicos, afirmou Buck. Ele concorda, entretanto, que as reformas, ainda pendentes, possam ficar ainda mais atrasadas, afetando o país a médio prazo.
O pacote de reforma tributária, por exemplo, está no Congresso e ainda deve ser modificado. A proposta do governo, enviada no tempo hábil acordado com o FMI, pode ser aprovada até o final do ano, se o conturbado momento político do país não se acirrar ainda mais. Já a proposta de reforma trabalhista, contestada pelo próprio FMI, por ser considerada mais rígida e nada flexível em comparação com a atual, deve ser rejeitada. Mas o FMI e o setor privado vêem como necessárias novas leis trabalhistas que permitam maiores investimentos.
Pesquisas recentes feitas por diversos institutos mostram que, na cidade de Buenos Aires, Menem teria uma rejeição média de 84% da população.


