O Plano Colômbia de luta antidroga, que inclui ajuda econômica e militar americana, desperta suspeita e desagrado na região, e ameaça transformar-se num dos eixos temáticos da Cúpula Sul-americana de Brasília, apesar de não estar na agenda.
Argentina, Brasil, Equador, Panamá, Peru e Venezuela já expressaram o temor de que com a aplicação do Plano Colômbia - de erradicação de cultivos de narcóticos e a procura de paz com as guerrilhas de esquerda - o conflito ultrapasse as fronteiras.
O chanceler argentino Adalberto Rodríguez Giavarini advertiu que o conflito colombiano ‘‘envolve toda a região’’, mas insistiu que de Buenos Aires ‘‘não haverá qualquer classe de ajuda militar’’.
‘‘Qualquer coisa que aconteça na Colômbia atingirá a Argentina, Brasil, Chile ou Uruguai. É um país grande e de grande importância estratégica. Fica utópico imaginar que o acontecido ali não nos afetarᒒ, disse.
Rodríguez Giavarini antecipou que na cúpula sul-americana de quinta e sexta-feira, em Brasília, seu governo ‘‘dirá que o assunto (da Colômbia) está claramente em cima da mesa’’.
O Brasil, apesar de apoiar a decisão da Colômbia de aplicar o plano, teme também que seu território seja afetado pelas consequências ecológicas de uma política de erradicação maciça dos chamados narcocultivos, e não descarta que o assunto seja abordado na reunião de quinta e sexta-feira, segundo o chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia.
Lampreia já tinha deixado claro que o Brasil não participará de nenhuma força internacional militar para intervir nesse país.
O chanceler venezuelano José Vicente Rangel considerou na semana passada que ‘‘a violência na Colômbia é uma ameaça latente’’, e pediu que Bogotá melhorasse a vigilância de sua fronteira.
Rangel enfatizou que se preocupa com o componente militar do Plano Colômbia e disse que o presidente Hugo Chávez aproveitará a reunião de cúpula para pedir mais informação a Pastrana sobre suas medidas antidrogas.
O presidente equatoriano, Gustavo Noboa também já falou sobre seu temor de um possível fluxo de desalojados da Colômbia para seu país, e receberá US$ 35 milhões de ajuda americana para enfrentar essa contingência. No entanto, disse que não acredita que o plano colombiano tenha repercussões militares no Equador.
O governo colombiano advertiu que não aceita que a comunidade internacional ‘‘estigmatize e coloque adjetivos’’ no Plano Colômbia.
O plano considera a luta contra o narcotráfico, a erradicação dos cultivos de coca e papoula e a busca da paz com as guerrilhas, assim como a reativação da economia, com um custo de US$ 7,5 bilhões (1,3 bilhão deles aportados pelos Estados Unidos).

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