Plano Colômbia custará US$ 7,5 bi
Os combates entre as FARC e as AUC alcançaram sua máxima expressão no departamento produtor de cocaína de Putumayo (sul), fronteira com o Equador e o Peru, onde os rebeldes isolaram por mais de dois meses os 350 mil habitantes da localidade através de um bloqueio armado que o Exército não conseguiu romper, e que só foi aliviado com um sistema aéreo de distribuição para evitar a fome entre a população.
Pastrana, convencido de que o narcotráfico tem uma estreita relação econômica com as guerrilhas e os paramilitares, e que enquanto não se desativar essa nefasta convivência qualquer esforço de negociação de paz será inútil, está empenhado em acabar com esse flagelo.
Com o decidido apoio militar e econômico dos Estados Unidos, que lhe endossou 1,3 bilhão de dólares, Pastrana quer iniciar uma controvertida estratégia de luta contra as drogas denominada de Plano Colômbia, cuja implementação terá um custo de 7,5 bilhões de dólares.
Porém, essa iniciativa que está prevista para começar com grandes fumigações em Putumayo, onde se concentram 50% dos 120 mil hectares de cultivos ilícitos existentes no país, é firmemente recusada pelas FARC, que a receberam como uma declaração de guerra de Pastrana e como a ponta de lança da intervenção direta dos Estados Unidos no conflito colombiano.
A estratégia também tem custado a Pastrana o ceticismo de vários setores civis que advertem que sua aplicação não só aumentará a guerra, como provocará graves consequências sociais por pretender encarar com uma grande ênfase militar um problema que tem raízes socioeconômicas.
A coincidência nessa apreciação dos governos vizinhos (Brasil, Equador, Peru, Panamá e Venezuela) os levou a reagir inicialmente com o aumento da segurança em suas fronteiras com a Colômbia, ao mesmo tempo que demonstram suas preocupações.
No caso do presidente venezuelano Hugo Chávez, essas diferenças de avaliação sobre o Plano Colômbia já provocaram um distanciamento diplomático entre os dois países e que, apesar das desculpas, ainda persiste nas relações entre Bogotá e Caracas.
Apesar da tensão regional despertada pelo Plano Colômbia, que conta com o apoio do novo presidente norte-americano George W. Bush, e da deteriorada situação dos direitos humanos na Colômbia, Pastrana espera contar com a compreensão internacional para desenvolver a estratégia, cujos resultados contra as drogas, as consequências sociais e os efeitos em seus esforços de paz, só serão evidentes em 2001.





