PKK prevê formação de um ''Grande Curdistão''
France Presse
O PKK é uma organização marxista-leninista que prevê a formação de um Grande Curdistão entre Turquia, Síria, Irã e Iraque, com 20 milhões de curdos. A organização iniciou em 15 de agosto de 1984 a luta armada contra o poder central de Ancara, tornado a questão curda no principal problema da Turquia. A rebelião e as operações do exército turco deixaram pelo menos 31 mil mortos.
O PKK, que sucedeu o Exército de Libertação Nacional do Curdistão (KUK), é dirigido desde sua criação, em novembro de 1978, por Abdullah Ocalan, conhecido como Apo, hoje com 50 anos. A organização sofreu importantes derrotas desde 1993, quando as forças de seguranças turcas lançaram importantes ofensivas. Desde então, os efetivos do PKK, estimados entre cinco e dez mil em 1992, são menos de cinco mil, transformando-se, segundo as autoridades turcas, em organização marginal. As forças armadas turcas mobilizadas contra o PKK no sudeste de Anatólia contam com 300 mil homens.
O PKK é composto por um braço político, o ERNK (Frente de Libertação do Curdistão) e um braço militar, o ARGK (Exército Popular de Libertação do Curdistão). Várias organização curdas estabelecidas na Europa são ligadas ao PKK, como o Parlamento curdo no exílio e a agência de imprensa DEM, com sede em Colônia (Alemanha). O PKK é considerado uma organização terrorista pela Turquia, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha.
A princípio, o PKK reinvindicava o estabelecimento de um Curdistão socialista. Depois, Ocalan admitiu a possibilidade de uma autonomia para os curdos da Turquia, categoricamente rejeitada por Ancara.
Povo de origem indo-europeu, os curdos, estimados hoje em 20 milhões de indivíduos, vivem em sua maioria na Turquia oriental (40%), no Irã (30%), na Síria e na antiga União Soviética.
Sua história foi escrita ao longo de três milênios, durante os quais ocorreu a paulatina assimilação das populações que se estabeleceram no Curdistão, território montanhoso de 230 mil quilômetros quadrados que se estende do sudeste da Turquia até a região central do Irã, passando pelo norte do Iraque e da Síria.
A principal dinastia curda se extinguiu no final do século IV, em um momento em que surgem pequenos principados que mantêm sua autonomia até o século VII. Depois de uma longa ausência, começam a surgir pequenos estados curdos independentes, particularmente nos séculos XII e XIII, apesar de quase todos serem esmagados pelos impérios turcos. Entre os séculos XVI e XVIII, nascem as primeiras reinvindicações nacionalistas, após o exílio de vários curdos provocados pela invasão otomana.
Um último reino curdo importante surge em 1750, mas sua capital está fora dos limites do Curdistão e seus chefes não tentam unificar a nação curda. Em 1867, os últimos principados autônomos curdos são eliminados pelos governos otomano e persa.
Depois da Grande Guerra, em 1921, o império otomano se desagrega. O tratado de Sévres (1920), prevê a independência do Curdistão. No entanto, o tratado de Lausanne revoga dois anos depois as disposições estabelecidas em Sévres. Em 1945, os curdos do Irã proclamam uma república curda, mas ela não sobrevive aos ataques do exército iraniano um ano depois.
Desde os anos 80, as revoltas dos curdos da Turquia consomem o país de Ataturk em estado de guerra civil. Os curdos reivindicam em particular uma igualdade de direitos com os turcos e o reconhecimento de seu idioma.





