Piqueteiros interrompem estradas na Argentina
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terça-feira, 14 de outubro de 2003
France Presse 
Buenos Aires Organizações de piquetes de pobres e desempregados, com outras entidades sociais e políticas, realizaram ontem 32 interrupções de estradas e várias marchas na Argentina, em repúdio à morte de dois jovens na empobrecida província nortista de Jujuy. Trata-se do primeiro dia nacional de luta convocado nos pouco mais de quatro meses de governo do presidente Néstor Kirchner pela Corrente Classista e Combativa (CCC), uma organização de esquerda com grande penetração entre os desempregados do norte do país.
O que detonou o protesto foram as mortes de Cristian IbáÀez, 17 anos, e Marcelo Cuellar, 19 anos. O primeiro, militante do CCC, foi encontrado morto no sábado, 4 de outubro, numa cela de uma delegacia e, segundo a polícia, teria se suicidado. O outro jovem morreu depois de ser ferido por uma bala de chumbo supostamente atirada por um policial durante uma manifestação quinta-feira passada, para exigir o esclarecimento do caso IbáÀez.
As mobilizações, que se realizaram nas províncias de Jujuy, Salta, Tucumán, Chaco e Misiones (todas ao norte), Mendoza (oeste) e Neuquén (sul), além de Buenos Aires e a capital, contam com o apoio de diversas organizações políticas de esquerda e de desempregados.
Segundo um comunicado da CCC, o protesto é para exigir o esclarecimento das mortes de IbáÀez e Cuellar e a punição dos responsáveis, a liberdade de 3 mil combatentes sociais e a garantia de Kirchner de que não penalizará os protestos e respeitará a luta social.
A respeito, o ministro do interior, Aníbal Fernández, ratificou ontem a decisão do governo de ''não criminalizar o protesto social'', embora advertisse que ''fará valer sua autoridade'' se for usado o mecanismo de cortes de estradas ''para fazer política''.


