Pioram laços do Vaticano com o governo de Israel
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Uma rusga desencadeada por recentes comentários sobre o terrorismo feitos pelo Papa Bento XVI tem azedado as relações entre o Vaticano e Israel e já é considerada o maior desafio enfrentado pelo líder religioso em seus cem dias à frente da Igreja Católica.
Em prece feita no último domingo após vários atentados terroristas , o Papa Bento XVI condenou ''a destruição e o sofrimento em países como o Egito, a Turquia, o Iraque e o Reino Unido'' e pediu a Deus que ''pare as mãos de assassinos movidos pelo fanatismo e pelo ódio''.
No dia seguinte, Israel exigiu do Vaticano explicações sobre por que o Papa não fez nenhuma menção aos mortais ataques feitos no país pelo grupo terrorista palestino Jihad Islâmico, em especial às explosões ocorridas em 12 de julho em Netanya, que causaram a morte de cinco pessoas.
Considerado um ultraje pelo Vaticano, o pedido de explicações foi respondido com a afirmação de que não foram condenadas todas as ações da militância palestina contra o Estado judaico porque a resposta militar de Israel aos ataques costuma frequentemente violar as leis internacionais.
O Vaticano não descreveu nenhuma das violações alegadas. Mas é sabido que Israel respondeu diversas vezes a ataques terroristas e promoveu invasões com seu Exército de cidades palestinas e de campos de refugiados, morada de possíveis militantes que tiveram seus lares destruídos. Contudo, desde o cessar-fogo de 8 de fevereiro de 2005, foi suspensa a maioria dessas ações.
Além disso, em sua nota oficial, o Vaticano ressaltou que as palavras do Papa foram distorcidas e que o discurso se referia explicitamente aos ataques mais recentes. ''É surpreendente que alguém aproveite a oportunidade para distorcer as intenções do Papa'', declarou o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, para quem a condenação ao atentado de Netanya estava ''implícita'' no discurso de Bento XVI.
A disputa, porém, não parou por aí. Israel contra-atacou com Nimrod Barkan, representante do Ministério das Relações Exteriores, apontando que não condenar o terror em seu país tem sido a política do Vaticano há muitos anos.
''Como eles nunca pagam o preço por serem omissos na condenação, continuam a fazê-lo. Mas, se entenderem que isso não passará em branco, mudarão seus modos'', disse Barkan, que afirmou não se preocupar em comprometer suas relações com o Papa. ''O que seria pior do que sugerir que é normal matar judeus?''
Em nota oficial divulgada na última quinta e que classifica as acusações de Barkan de ''infundadas e inventadas'', o Vaticano saiu em defesa enfática do Papa João Paulo II.


