São Paulo - O cientista da Coréia do Sul que assombrou seus colegas ocidentais ao criar os primeiros embriões humanos clonados para fins terapêuticos se humilhou ontem diante das câmeras. Woo-Suk Hwang pediu perdão por atitudes eticamente questionáveis, como o uso de óvulos de subordinadas em suas pesquisas, e deixou seu cargo de chefe do Centro Mundial de Células-Tronco, criado pelo governo sul-coreano.
''Sinto ter de dizer ao público palavras que são vergonhosas e horríveis demais. A responsabilidade de toda a controvérsia é minha'', disse Hwang, que é pesquisador da Universidade Nacional de Seul. ''Ao ficar excessivamente preocupado com o desenvolvimento científico, posso não ter percebido todas as questões éticas ligadas à minha pesquisa.'' Hwang também afirmou que a demissão ''é a minha maneira de buscar o arrependimento''.
O pesquisador admitiu que sabia da procedência dos óvulos desde 2004. Ele teria ocultado o fato a pedido das cientistas-doadoras que chefiava. A revelação é a gota d'água de um processo de desgaste que se desenrola nas últimas duas semanas.
Primeiro, o americano Gerald Schatten, da Universidade de Pittsburgh, que colaborou com Hwang em pesquisas de impacto como a clonagem do primeiro cão, disse estar desistindo da parceria por causa de problemas éticos. Depois, outro colega, o também coreano Sung-Il Roh, disse ter comprado óvulos de 16 doadoras, pagando a cada uma delas cerca de R$ 3 mil.

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