O general Augusto Pinochet sofreu nesta terça-feira uma expressiva derrota na Suprema Corte chilena, que rechaçou por 11 votos a 9 a possibilidade de ele realizar exames médicos, o que o aproxima ainda mais de um julgamento por sequestro de opositores, anunciou o tribunal.
Após deliberar durante quase duas horas e meia, os 20 juízes da mais alta instância do Poder Judiciário chileno desestimaram a petição do ex-ditador, que fazia parte do recurso à suspensão de sua imunidade parlamentar, determinada em 5 de junho pela Corte de Apelações.
Hernán Alvarez, presidente da Suprema Corte, informou que na terça-feira será decidido se a sentença de primeira instância tem procedência ou se esta será revogada. Tal decisão é inapelável.
Pinochet, de 84 anos, foi despojado de sua imunidade parlamentar de senador vitalício pela Corte de Apelações, que determinou por 13 votos a 9 que há ‘‘suspeitas fundamentadas’’ para julgá-lo pelo sequestro de opositores.
Esta terça-feira é um dos dias mais cruciais vividos por Pinochet, que – ao lado de sua angustiada família – esperou por esta primeira resolução em sua residência de descanso em Los Boldos, 140 quilômetros ao noroeste de Santiago.
Os familiares das vítimas de sua extensa ditadura aguardaram ansiosos a decisão da Suprema Corte. A resposta negativa sobre a realização dos exames aproximou o ex-chefe de Estado do banco dos réus.
Viviana Díaz, presidente da Agremiação de Familiares de Detidos Desaparecidos, declarou: ‘‘Esta resolução nos satisfaz enormemente porque significa que dentro dos próximos dias conheceremos a decisão da (Suprema) Corte ratificando a decisão da Corte de Apelações.’’
Alguns advogados ativistas dos direitos humanos também interpretaram esta primeira decisão como um prelúdio do que será a decisão final da Suprema Corte do Chile que, segundo eles, ratificará a suspensão da imunidade parlamentar.

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