O governo britânico, que deverá decidir a sorte do general Augusto Pinochet, detido em uma clínica londrina, sugeriu que poderá mostrar ‘‘compaixão’’ e autorizar o ex-ditador, de 82 anos e doente, a voltar ao Chile sem responder a seus crimes ante a Justiça espanhola.
A questão foi mencionada pelo ministro do Interior, Jack Straw, ao responder a uma pergunta feita a ele no Parlamento. Straw deverá tomar a decisão sobre o processo de extradição iniciado pelo juiz madrilenho Baltazar Garzón, responsável pela detenção de Pinochet na sexta-feira passada.
Isto foi interpretado pelos meios de comunicação como um sinal de uma provável mudança de posição do governo de Tony Blair. Até quinta-feira, ele manteve a posição de que este caso pertence ao âmbito judicial e ‘‘não é político’’.
Esta possibilidade de saída poderia tirar Londres de uma situação incômoda, mas provocaria a ira das organizações humanitárias e partidárias de um processo, 25 anos depois do advento de uma junta militar responsável por 3 mil mortos e desaparecidos entre 1973 e 1990.
Na medida em que se complica o imbróglio jurídico, o governo de Blair, que em certo momento apareceu como suspeito de ter armado uma cilada para o ex-ditador, está em uma situação embaraçosa.
O pedido de libertação imediato apresentado pelo presidente chileno Eduardo Frei, ‘‘devido a considerações humanitárias’’ e apesar das ‘‘grandes divergências’’ entre seu governo democrático e a junta militar, encontrou uma ampla ressonância, inclusive em meios inesperados.
O presidente argentino, Carlos Menem, que chega terça-feira a Londres para uma visita de reconciliação, 16 anos depois da guerra anglo-argentina das Malvinas, ‘‘concorda 100% com a posição chilena’’ e sustenta o princípio do direito de cada Estado de julgar seus cidadãos em seu território, ‘‘inclusive quando se trata de crimes contra a Humanidade’’.
O presidente cubano Fidel Castro afirmou, por sua vez, que se trata de uma detenção ‘‘moralmente justa’’, mas ‘‘legalmente duvidosa’’.
O governo Tony Blair se indignou contra a intervenção, em sua consideração intempestiva, da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, exigindo a imediata libertação de seu antigo aliado chileno durante a Guerra das Malvinas.
Em sua resposta ao Parlamento, Jack Straw confirmou que se o juiz Garzón não apresentar seu expediente de extradição antes de 25 de novembro (40 dias depois da detenção), ‘‘o senador Pinochet será autorizado a partir’’.

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