O general Augusto Pinochet não precisa continuar hospitalizado e deverá ser rapidamente transferido para uma residência particular, informou ontem o Grovelands Priory Hospital onde está internado há um mês. O ex-ditador chileno ‘‘não necessita mais dos cuidados especializados que recebe no Priory’’, disse o porta-voz da clínica psiquiátrica londrina. ‘‘Agora são os seus conselheiros que têm a responsabilidade de encontrar-lhe uma residência’’, acrescentou o porta-voz.
Pinochet, 83 anos, hoje senador vitalício, foi detido em Londres após ser operado de uma hérnia de disco em 16 de outubro, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que espera interrogá-lo em juízo por atos de ‘‘genocídio, torturas e terrorismo’’ atribuídos ao seu regime autoritário (1973-1990).
Deputados contra expulsão Cento e cinquenta parlamentares britânicos não querem que o governo de Londres permita ao ex-ditador Augusto Pinochet regressar ao Chile. Segundo informa o jornal ‘‘The Independent’’ em sua edição de ontem, os deputados expressaram sua posição por escrito ao secretário britânico do Interior, Jack Straw, que deve decidir o futuro do general até o dia 11 de dezembro.
Segundo os 150 parlamentares que assinam a carta ao secretário, Pinochet não será perseguido pela justiça do Chile, devido à lei de anistia. Eles afirmam que a avançada idade do ex-ditador não é argumento válido para deixá-lo regressar ao Chile, pois muitas de suas vítimas também eram idosas e passaram muitos anos exigindo justiça.
Missão de Insulza O ministro do Exterior do Chile, José Miguel Insulza, foi recebido ontem no ministério da Defesa da Grã-Bretanha para discutir questões sobre armamentos de interesse dos dois países. Durante sua estada na capital britânica, o chanceler chileno esteve no Foreign Office, o ministério do Exterior britânico e na secretaria do Comércio. Em todos os seus encontros com autoridades de Londres, o ministro chileno foi informado de que a solução do caso do ex-ditador Augusto Pinochet ‘‘não será objeto de decisões coletivas do gabinete britânico’’. Segundo os interlocutores de Insulza, a decisão está nas mãos do secretário do Interior, Jack Straw, que a anunciará antes do próximo dia 11.
Porta-voz de Straw desmentiu informações veiculados pela imprensa britânica ontem de que haveria um acordo com uma delegação do governo chileno que pediu a libertação de Pinochet em troca da garantia de que ele será julgado no Chile.
Encerrada a etapa britânica, o ministro do Exterior do Chile, José Miguel Insulza, chegou ontem a Madri, onde pretende dialogar com representantes do governo e da oposição da Espanha sobre o caso Pinochet. Insulza será recebido hoje pelo chefe do governo da Espanha, que, de Lisboa onde se encontra, voltou a insistir que o caso Pinochet é uma questão jurídica e não política.France PresseO chanceler chileno José Miguel Insulza (à esquerda) chega a MadriFrance Presse e DPA

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