Pinochet perde imunidade
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
France Presse 
Santiago - O ex-ditador Augusto Pinochet, que perdeu a imunidade nesta quinta-feira, retirada pela Corte Suprema por sua participação e responsabilidade nos crimes cometidos durante a ''Operação Condor'', liderou a mais repressiva ditadura militar vivida no Chile.
A ''Operação Condor'' foi um plano secreto aplicado pelas ditaduras militares do Chile, da Argentina, da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai para eliminar os opositores de esquerda nos anos 70.
''No Chile, não se mexe uma folha sequer sem que eu saiba'', declarou Pinochet, em uma de suas mais famosas frases, quando governava o Chile com mão-de-ferro entre setembro de 1973 e março de 1990. Pinochet nunca poderia ter imaginado então que a justiça o perseguiria agora, com 88 anos. De fato, o ex-ditador, privado de sua imunidade por decreto da Corte Suprema, enfrenta um processo por responsabilidade pelas mortes e desaparecimentos durante a ''Operação Condor''.
Em 16 de outubro de 1998, Pinochet foi detido em Londres, ficando exposto durante 503 dias às críticas da comunidade internacional, como a encarnação das piores violações dos direitos humanos.
O ex-ditador também não suspeitou que seria preso e processado em seu próprio país, como ocorreu em 31 de janeiro de 2001 por ordem do juiz Juan Guzman Tapia, que conseguiu suspender a imunidade parlamentar com a qual contava Pinochet desde que se tornou senador vitalício. Sua detenção surpreendente em Londres para enfrentar uma extradição para a Espanha representou uma ruptura com o poder absoluto que exerceu desde o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, marcado pelo dramático suicídio do presidente socialista Salvador Allende em meio a um ataque aéreo e terrestre contra o palácio de La Moneda.
Nascido em 25 de novembro de 1915 no porto de Valparaíso, 100 km a oeste de Santiago, Pinochet surgiu na história chilena para projetar sua influência sobre os 15 milhões de habitantes do país por um quarto de século, até ter abandonado o comando do exército em março de 1998.
Alvo de muitas denúncias por assassinatos, torturas e outras violações dos direitos humanos, Pinochet escapou ileso em 7 de setembro de 1986 de uma emboscada conduzida pelo movimento guerrilheiro Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), na qual morram cinco de seus guarda-costas. Para os empresários, a direita e os grupos nacionalistas, Pinochet foi ''o homem que salvou o Chile do comunismo'', e conseguiu um importante crescimento econômico ao privatizar grandes empresas do Estado, enquanto a Igreja Católica e as organizações humanitárias denunciavam o ''custo social'' deste modelo: mais de 3.000 mortos e desaparecidos.
Após voltar ao Chile proveniente de Londres, Pinochet teve sua imunidade
parlamentar suspensa para ser submetido a um julgamento pela morte de algumas das vítimas da ditadura.
Porém, a mesma Corte o absolveu das acusações em 1º de julho de 2002, ao considerar que o ex-ditador sofria de uma moderada demência mental, que o impedia de se defender ante os tribunais.


