O general Augusto Pinochet recorreu ontem à Sala de Verão da Corte de Apelações para que o deixe em liberdade e revogue seu indiciamento pelo assassinato de 75 opositores, que o mantém há duas semanas em prisão domiciliar. Pablo Rodríguez, chefe da equipe jurídica de Pinochet, alegou que o julgamento de seu cliente é ‘‘arbitrário, ilegal e anticonstitucional’’.
‘‘Não há indícios de participação do general Pinochet nestes delitos. Analisei dez casos nos quais lhe atribuem participação, (mas) nenhum deles conduz lógica e naturalmente à conclusão de que ele teve participação como autor destes delitos’’, afirmou Rodríguez aos jornalistas, após apresentar sua alegação.
O defensor também pediu que Pinochet seja dispensado do julgamento porque suas enfermidades e sua demência subcortical moderada o impedem de enfrentar um processo.
Por sua vez, o advogado de acusação Eduardo Contreras, falando em seguida à imprensa, acusou Rodríguez de mentir à corte por ter dito que ‘‘o relatório médico afirmou... de forma categórica que Pinochet não está em condições de prestar declarações. Isto é mentira’’, afirmou Contreras.
Um grupo de mulheres ‘‘pinochetistas’’, que esperou pacientemente o final da sessão de ontem do tribunal, agrediu com empurrões os guardas que vigiavam a entrada do local, lançando gritos em favor de seu líder. Não houve detidos.

mockup