Pinochet passa hoje por exames médicos
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Associated Press De Santiago do Chile 
O general Augusto Pinochet aceitou se submeter aos exames médicos e ao interrogatório, remarcados pelo juiz Juan Guzmán Tapia, informou ontem o porta-voz do ex-ditador. Pelo novo calendário, os exames serão realizados entre hoje e sábado e o interrogatório na próxima segunda-feira.
A desistência de Pinochet, de 85 anos, de desacatar as determinações do juiz Juan Guzmán que tenta julgá-lo por homicídios e sequestros supreendeu a todos.
Por seu turno, o juiz Guzmán concordou em fixar nova data tanto para os exames quanto para o interrogatório, embora tenha vencido ontem o prazo determinado pela Corte Suprema para ambas as formalidades.
A partir de hoje e até sábado, Pinochet se submeterá aos exames mentais e neurológicos a cargo de uma equipe de peritos médicos sob a supervisão de dois adjuntos um designado pela defesa, outro pela acusação. A verificação das faculdades físicas e mentais do general, antes de seu depoimento visa precisar o estado psíquico e o avanço de doenças irreversíveis e degenerativas que podem condicionar seu comparecimento nos trâmites processuais.
O interrogatório será realizado na segunda-feira, dia 15, na casa de férias de Pinochet em Los Boldos, no litoral, a 130 km de Santiago.
Escoltado por um forte dispositivo militar e policial, Pinochet deixou ontem sua propriedade em Los Boldos em direção à capital. Às dez da manhã de hoje, devem iniciar-se no Hospital Militar os controles médicos, cujos resultados serão analisados em cinco estabelecimentos universitários e privados procedimento que era rejeitado pela defesa sob a alegação de que colocava dúvidas sobre o hospital dos militares e sobre o próprio Pinochet.
A mudança de atitude foi explicada pelos defensores como o resultado de uma alteração na situação. Mas ocorreu logo após o presidente da Corte Suprema, Hernán Alvarez, ter declarado que não considerava que Pinochet tivesse passado por cima da Justiça e que Guzmán tinha o poder e os recursos para fazer cumprir suas resoluções.
O advogado de acusação Hiram Villagra disse que que Pinochet esperava que o Exército atuasse a seu favor, mas isto não aconteceu.
A acusação não discordou da atitude de Guzmán de dar uma nova oportunidade a Pinochet, mas a advogada Carmen Hertz, falando em nome dos demais acusadores, disse esperar que este novo cronograma seja obedecido, e que o general Pinochet não comece, após os exames médicos, com a bateria de recursos para tentar impedir que ele se apresente para prestar declarações ao juiz.


