Pinochet não quer ser fichado
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terça-feira, 03 de abril de 2001
Associated PressDe Santiago do Chile 
O general Augusto Pinochet já conseguiu adiar por um mês seu fichamento policial ao obter do juiz que o processa que levasse em conta a opinião de seus médicos, os quais advertem que submeter-se ao trâmite policial deixará o general deprimido.
O neurologista do hospital Militar, Sergio Ferrer, disse ontem que a identificação policial é um novo trauma psíquico para ele, que poderia determinar um agravamento de seu estado de saúde, tanto cerebral como geral.
Essas coisas repercutem fortemente sobre seu estado emocional, deixam-no deprimido, disse Ferrer à imprensa após entrevistar-se com o juiz Juan Guzmán.
Guzmán seguiu ontem a recomendação médica e decidiu adiar o fichamento policial de Pinochet por mais um mês tempo hábil para que cheguem às suas mãos os exames a que se submeteu o ex-ditador após o último microderrame cerebral que sofreu em fins de janeiro.
Os advogados de acusação qualificaram como uma ilegalidade a medida adotada por Guzmán, e anteciparam que apresentarão uma apelação contra a decisão do magistrado.
Pinochet está em liberdade provisória desde 14 de março por determinação da Corte de Apelações que, além de exigir dele o pagamento de uma fiança de valor equivalente a US$ 3.450, ordenou que ele fosse fichado pela polícia, como estabelece a lei para todos as pessoas que forem processadas criminalmente.
O ex-ditador está sendo processado por acobertar 75 homicídios cometidos por um grupo de militares em quatro cidades do norte do país, em 1973.
Logo em seguida à ordem judicial, os advogados de defesa do general haviam apresentado sem êxito um recurso pedindo que seu fichamento fosse adiado; mas depois conseguiram fazer com que o próprio juiz Guzmán fosse conversar com os médicos, o que o levou a decidir em favor da petição apresentada pelos defensores do ex-ditador. Observadores acreditam que Pinochet vai continuar fugindo da identificação policial.


