O general Augusto Pinochet já conseguiu adiar por um mês seu fichamento policial ao obter do juiz que o processa que levasse em conta a opinião de seus médicos, os quais advertem que submeter-se ao trâmite policial deixará o general deprimido.
O neurologista do hospital Militar, Sergio Ferrer, disse ontem que a identificação policial ‘‘é um novo trauma psíquico para ele, que poderia determinar um agravamento de seu estado de saúde, tanto cerebral como geral’’.
‘‘Essas coisas repercutem fortemente sobre seu estado emocional, deixam-no deprimido’’, disse Ferrer à imprensa após entrevistar-se com o juiz Juan Guzmán.
Guzmán seguiu ontem a recomendação médica e decidiu adiar o fichamento policial de Pinochet por mais um mês – tempo hábil para que cheguem às suas mãos os exames a que se submeteu o ex-ditador após o último microderrame cerebral que sofreu em fins de janeiro.
Os advogados de acusação qualificaram como ‘‘uma ilegalidade’’ a medida adotada por Guzmán, e anteciparam que apresentarão uma apelação contra a decisão do magistrado.
Pinochet está em liberdade provisória desde 14 de março por determinação da Corte de Apelações – que, além de exigir dele o pagamento de uma fiança de valor equivalente a US$ 3.450, ordenou que ele fosse fichado pela polícia, como estabelece a lei para todos as pessoas que forem processadas criminalmente.
O ex-ditador está sendo processado por acobertar 75 homicídios cometidos por um grupo de militares em quatro cidades do norte do país, em 1973.
Logo em seguida à ordem judicial, os advogados de defesa do general haviam apresentado – sem êxito – um recurso pedindo que seu fichamento fosse adiado; mas depois conseguiram fazer com que o próprio juiz Guzmán fosse conversar com os médicos, o que o levou a decidir em favor da petição apresentada pelos defensores do ex-ditador. Observadores acreditam que Pinochet vai continuar fugindo da identificação policial.

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