Pinochet não pedirá perdão pelo golpe, diz porta-voz
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terça-feira, 12 de setembro de 2000
Associated Press De Santiago 
O general Augusto Pinochet nunca se arrependerá do golpe de Estado por ele encabeçado há 27 anos, disse um de seus porta-vozes.
(Pinochet) nunca pedirá perdão político, e nem tem por que fazê-lo, afirmou anteontem o general da reserva Guillermo Garín, coordenador dos assessores do octogenário general, assim respondendo a uma declaração feita por alguns membros do atual governo e pela viúva do ex-presidente Salvador Allende.
A viúva, Hortencia Bussi, disse que gostaria de ver pelo menos uma lágrima correr pelo rosto do general em memória das vítimas da repressão durante seu governo que, segundo dados oficiais, deixou 3.197 mortos, dos quais um milhar continuam desaparecidos.
A esposa de Pinochet, Lucía Hiriart, disse que o aniversário do golpe provocou nela sentimentos coincidentes.
Estou feliz porque (o golpe) foi algo que teve resultados muito bons, digam o que disserem, disse Lucía, e com muito menos mortos do que poderia ter havido porque houve uma guerra civil e, infortunadamente, as guerra civis deixam muitos mortos. A ex-primeira-dama, que assistiu anteontem à noite à inauguração de uma mostra de fotografias da época, disse estar também satisfeita pelo trabalho que pôde fazer pessoalmente pelo meu povo.
Nas ruas de Santiago, os protestos em razão do aniversário do golpe deixaram na noite de anteontem pelo menos 20 feridos, dos quais oito policiais e 12 civis, e 200 detidos; os manifestantes se concentraram nos bairros da periferia da capital, onde também houve saques a casas comerciais, cortes no sistema de distribuição de energia e barricadas com queima de pneus.
Durante o dia, os universitários provocaram incidentes nos câmpus da universidades de Santiago e do interior. O governo considerou as ocorrências menores, se comparadas aos incidentes dos anos anteriores.


