Pinochet não comparece à posse de Ricardo Lagos France Presse De Valparaíso O líder socialista Ricardo Lagos assumiu ontem como presidente do Chile, em uma sessão solene do Congresso, diante de delegações de 60 países, incluindo oito mandatários latino-americanos, entre eles o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Sim, prometo’’, disse Lagos, às 11h43 locais, quando o presidente do Senado, Andrés Zaldívar, fez a clássica pergunta que compromete o novo mandatário a respeitar a Constituição e as leis. A cerimônia aconteceu no Salão de Honra do Parlamento chileno, em Valparaíso, 110 km a oeste de Santiago, sem a presença do senador vitalício e ex-ditador Augusto Pinochet, que há 10 anos, nesta mesma data, entregou o poder que exerceu entre 1973 e 1990. Lagos, um economista de 62 anos e ex-colaborador de Salvador Allende, recebeu a faixa tricolor dos mandatários chilenos das mãos do democrata-cristão Eduardo Frei. Nos próximos seis anos, Lagos conduzirá o terceiro governo da Concertação Democrática, coalizão que sucedeu o regime de Pinochet em 11 de março de 1990. Entre as delegações convidadas estavam a dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, do Brasil; Fernando de la Rúa, da Argentina; Miguel Angel Rodríguez, da Costa Rica; Andrés Pastrana, da Colômbia; Gustavo Noboa, do Equador; Carlos Flores, de Honduras; Luis González Macchi, do Paraguai, e Jorge Batlle, do Uruguai. Também assistiram à cerimônia a presidente da Finlândia, Tarja Halonen, os primeiros-ministros da Itália, Massimo D’Alema, e de Portugal, Antonio Guterres, além do presidente do Conselho de Ministros da Polônia, Jerzy Buzek, entre outros. Lagos sucede os governantes democrata-cristãos Patricio Aylwin (1990-1994) e Eduardo Frei (1994-2000), depois de vencer, no segundo turno, as eleições de 16 de janeiro, com 51,3% dos votos contra 48,6 do candidato da direita oposicionista, Joaquín Lavín, ex-assessor de Pinochet. ‘‘Saio de cabeça erguida e contente, contente pelo Chile’’, declarou o presidente chileno Eduardo Frei, ao deixar o palácio de La Moneda, duas horas antes da entrega do cargo ao seu sucessor. Frei foi aplaudido por centenas de funcionários e anônimos. ‘‘Queria ser lembrado como uma pessoa que trabalhou lealmente, com grande esforço, com grande lealdade aos interesses supremos do país’’, disse.

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