Pinochet interrogado por duas horas
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Associated Press De Santiago do Chile 
Pela primeira vez, o general Augusto Pinochet viu-se ontem frente a frente com o juiz Juan Guzmán, que o investiga há três anos e pode processá-lo por graves violações aos direitos humanos cometidas durante o tempo em que ele foi ditador do Chile.
Para interrogar Pinochet, o juiz chegou às 10 horas da manhã de ontem à residência do ex-ditador, no elegante bairro de La Dehesa, entrando por uma porta lateral local fixado pelo ex-governante como seu domicílio legal. Duas horas depois, o magistrado deixou a residência sem fazer declarações.
Um forte dispositivo policial impediu que os jornalistas se aproximassem da casa, enquanto meia centena de seguidores de Pinochet agitava cartazes dizendo Nós o apoiaremos até o final.
O porta-voz do ex-ditador, o general reformado Guillermo Garín, disse que entre Pinochet e Guzmán se estabeleceu uma relação harmônica. Ele disse não saber se o general respondeu às perguntas, acrescentando que a entrevista durou cerca de duas horas.
A filha mais velha do general, Jacqueline, disse que no final do interrogatório seu pai estava bastante cansado, acrescentado que desde setembro até hoje ele sofreu uma deterioração muito grande. Tem dificuldade para andar, se cansa, tem um problema na traquéia, então engasga.
Segundo o advogado de acusação, Eduardo Contreras, o que sabemos é que a diligência foi legalmente cumprida, esgotada e encerrada, e não haverá novos interrogatórios. Isto dá condições para que os advogados solicitem, seguramente nas próximas horas, a abertura do processo contra Augusto Pinochet.
Guzmán acusou Pinochet pelo assassinato de 57 opositores e o sequestro de outros 18 em mãos da Caravana da Morte, um grupo militar por ele enviado a quatro cidades, supostamente para agilizar o julgamento de detidos após o golpe militar de 1973.


