Pinochet fala sobre contas nos EUA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de agosto de 2004
France Presse 
Santiago O ex-ditador chileno Augusto Pinochet foi interrogado há cerca de dez dias por um juiz que investiga a origem das milionárias e polêmicas contas secretas que ele mantinha em um banco norte-americano, afirmou ontem sua defesa jurídica. A declaração ao juiz Sergio MuÀoz foi voluntária e coordenada por sua equipe de advogados. Por isso, não foi necessário suspender sua imunidade de ex-presidente (1973-90) para que ele fosse ouvido.
MuÀoz foi nomeado especialmente para pesquisar se houve irregularidades na obtenção de entre US$ 4 e 8 milhões que foram depositados no banco Riggs, em Washington, em nome de Pinochet e de sua mulher, Lucía Hiriart. As contas foram descobertas por uma comissão do Senado dos EUA que investiga supostos casos de lavagem de dinheiro nesse banco.
O juiz, que também interrogou a família do ex-ditador, pediu a várias autoridades financeiras e ao Exército que entreguem dados sobre Pinochet. Um relatório da Receita enviado ao juiz mostra uma diferença de US$ 6 milhões entre os seus rendimentos e seus bens. Os advogados negaram que isso seja verdade. ''Todos os fundos do general Pinochet são absolutamente legítimos e foram adquiridos de maneira perfeitamente legal. Não há nenhum tipo de ilegalidade, nem isenção, nem fraude, nem nenhum tipo de suborno nem coisa que o valha'', disse Pablo Rodríguez, chefe da equipe jurídica.
Existem cerca de 300 ações judiciais contra Pinochet por causa de abusos aos direitos humanos no seu regime, mas é a primeira vez que ele é suspeito de corrupção.


