Pinochet é hospitalizado
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sábado, 27 de janeiro de 2001
Associated Press De Santiago do Chile 
O general Augusto Pinochet foi internado às pressas, ontem, em um hospital militar horas após um general da reserva responsabilizá-lo por dezenas de assassinatos praticados pela Caravana da Morte, um caso que pode levar Pinochet aos tribunais.
Um assessor de Pinochet, o general reformado Luis Cortes, disse que o ex-ditador se sentiu muito mal depois de vir enfrentando, desde a quinta-feira, uma forte e constante dor de cabeça e inchaço nas pernas.
Pinochet desceu com dificuldade de seu carro blindado e, ajudado por seus guarda-costas, entrou no hospital numa cadeira de rodas. Horas depois, o hospital divulgou um breve comunicado dizendo que o diagnóstico preliminar é o de um episódio isquêmico transitório, que significa uma falta de irrigação sanguínea neste caso, no cérebro.
A nota acrescentou que o general está na Unidade de Terapia Intensiva e que sua alta ou permanência no centro médico dependerá da evolução do caso.
Os médicos do hospital explicaram que Pinochet teve uma ligeira e transitória falha de consciência e que ele apresenta uma discreta perda de forças do lado esquerdo e a persistência de um quadro congestivo com retenção de água.
O comandante-chefe do Exército, general Ricardo Izurieta, chegou rapidamente ao hospital para informar-se sobre a saúde de seu antecessor.
A esposa e os filhos de Pinochet também foram ao centro médico. Ao retirar-se, a filha mais nova do ex-governante, Lucía Pinochet Hiriart, atribuiu a responsabilidade pelos problemas de saúde de seu pai aos seus adversários políticos.
Isto é resultado da perseguição que vem ocorrendo há muito tempo. Como familiares, nós pedimos a Deus e perdoamos os danos que nos estão causando, disse Lucia.
Pinochet enfrenta uma real possibilidade de ser julgado pelo caso. Ele já foi indiciado por um juiz, Juan Guzmán, no mês passado, mas a Suprema Corte rechaçou a medida porque Guzmán não havia antes interrogado o ex-ditador.
O juiz interrogou Pinochet na última terça-feira e as respostas dadas por ele levaram a televisão a entrevistar Lagos. Durante o interrogatório, o ex-comandante-chefe disse ao juiz que os comandantes regionais, e não ele próprio, eram os responsáveis pelo que ocorria em cada região. Eu não sou o responsável. Não sou um criminoso, teria enfatizado Pinochet, segundo versões do interrogatório divulgadas pela imprensa.


