O ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, lamentou a traição que diz ter sofrido da Grã-Bretanha, ao ser detido em 16 de outubro a pedido de um juiz espanhol que quer processá-lo por genocídio, terrorismo e torturas. Em um artigo enviado a vários veículos da imprensa e publicado ontem pelo jornal The Sunday Times, Pinochet expressou sua estranheza ante as posições dos governos da Espanha e da Grã-Bretanha, explicou sua versão da história e enumerou as razões que o induziram a liderar o golpe de Estado de 1973 que derrubou o presidente eleito Salvador Allende.
Segundo o artigo, o general Pionchet foi informado de sua detenção por sua esposa no leito do hospital londrino no qual convalescia depois de uma operação de hérnia de disco. ‘‘Fiquei perplexo ao escutá-la, envolvida em lágrimas’’, disse.
O ex-ditador afirmou ter viajado para a Grã-Bretanha como ‘‘embaixador especial’’ do Chile, ‘‘talvez não especificamente como hóspede do Ministério das Relações Exteriores, mas com seu total conhecimento e cooperação’’. ‘‘Não foi minha primeira visita, pois já havia feito outras viagens de negócios, a última delas ainda este ano, quando fui recebido formalmente por representantes do governo britânico no aeroporto londrino de Haeathrow’’, continuou.
‘‘Sempre gostei de visitar a Grã-Bretanha’’, confessou o senador vitalício chileno, que evocou os estreitos vínculos existentes entre os dois países desde a independência do Chile, em 1818, ‘‘conseguida, em parte, graças à política ilustrada do chanceler britânico lorde Canning’’.

mockup