Pinochet diz que não tem motivo para pedir perdão
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Enrique Fernández France Presse 
O violento golpe militar chileno, que levou o general Augusto Pinochet ao poder e terminou com a morte do presidente Salvador Allende, completa 25 anos hoje, mas o caudilho se nega a pedir perdão pelos milhares de vítimas da repressão aplicada por seu regime. Mas por que vou pedir perdão?, perguntou Pinochet, em entrevista publicada ontem pela revista Cosas.
Por acaso pediram perdão às mães dos militares, cujos filhos morreram?, insistiu o general de 82 anos, que encabeçou o regime de fato mais longo da história da Chile, de 11 de setembro de 1973 a 11 de março de 1990.
Para Pinochet, convertido agora em senador vitalício por disposição das leis que ele mesmo ditou antes de entregar o poder, este será seu primeiro aniversário longe das fileiras do Exército, cuja chefia entregou em 10 de março passado.
Para os 14,5 milhões de chilenos, esta sexta-feira será o último 11 de setembro marcado como uma celebração, depois que há três semanas o senador Pinochet aceitou eliminar, a partir do próximo ano, essa festividade imposta pelos militares.
O gesto de Pinochet abriu passagem para uma iniciativa do arcebispo de Santiago, monsenhor Francisco Javier Errázuriz, que na noite de terça-feira passada reuniu as autoridades de governo e os chefes das Forças Armadas, em uma celebração religiosa efetuada, como disse, pela Unidade Nacional.


