O ex-ditador chileno Augusto Pinochet deverá ser submetido hoje, em sua residência no elegante subúrbio de La Dehesa em Santiago, a um histórico interrogatório sobre sua participação nas violações de direitos humanos cometidas pela chamada ‘‘caravana da morte’’. A caravana era um grupo formado por militares da ativa que percorreu o interior do país logo depois do golpe de Estado liderado por Pinochet contra o então presidente Salvador Allende, em 1973, e tinha como objetivo eliminar opositores do regime pinochetista – que se estenderia até 1990. Será a primeira vez que Pinochet terá de responder perante a Justiça chilena a perguntas sobre abusos cometidos durante a ditadura.
O depoimento será tomado pelo juiz Juan Guzmán, da Corte de Apelações de Santiago, que instrui um total de 203 denúncias judiciais contra Pinochet. O interrogatório de hoje, no entanto, deverá ater-se aos supostos 74 casos de sequestro e assassinato relativos à caravana da morte.
O ex-ditador, de 85 anos, não se dirigirá ao Palácio dos Tribunais para o interrogatório por causa das alegações da defesa, segundo as quais seu estado de saúde não recomenda o deslocamento.
Uma fonte próxima a Guzmán indicou que o interrogatório não deve se estender por muito tempo. ‘‘O número de perguntas não deverá passar de 20, pelo que se espera uma diligência rápida’’, disse a fonte, sob a condição de não ter seu nome divulgado.
O advogado de defesa José María Eyzaguirre antecipou ontem que seu cliente deverá restringir-se a declarar-se inocente das acusações que lhe forem imputadas durante o interrogatório. ‘‘Evidentemente, o general Pinochet não assumiu nenhuma responsabilidade penal e não deverá fazê-lo agora’’, afirmou.
Na semana passada, Guzmán recebeu o resultado dos exames mentais e psicológicos aos quais Pinochet fora submetido dias antes. Pela lei chilena, são juridicamente inimputáveis os acusados que estejam ‘‘mentalmente incapacitados’’ para enfrentar um julgamento.

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