Pinochet busca auxílio de psiquiatra
O jornal The Times informou ontem que o ex-ditador chileno Augusto Pinochet apelou para um psiquiatra de luxo a fim de sair do labirinto jurídico em que se encontra desde o veredito da Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha, que abriu o caminho para sua extradição. O argumento de que Pinochet sofre de uma doença mental pode dar a base jurídica para que o governo britânico alegue razões humanitárias e rejeite o pedido de extradição feito pela Espanha. O jornal afirma que os advogados de Pinochet tentaram convencer o secretário do Interior britânico, Jack Straw, de que o ex-ditador não tem condições mentais de aguentar um julgamento. Por esse motivo, os advogados contrataram os serviços do renomado psiquiatra Geoffrey Lloyd, diretor da clínica Grovelands Priory, a mesma em que Pinochet surpreendeu os médicos ao se recuperar de maneira excelente de uma operação de hérnia de disco, em outubro. O psiquiatra teria atendido quinta-feira o ex-ditador que estaria sofrendo de stress devido à tensão dos últimos dias.
A sentença dos lordes, divulgada na quarta-feira, mergulhou Pinochet em uma profunda depressão, segundo fontes ligadas ao ex-ditador. Seus seguidores, amigos e familiares afirmam que o general de 83 anos não deve ser processado devido à sua avançada idade.
Adiamento A Justiça britânica acatou ontem o pedido do secretário de Interior, Jack Straw, de ampliação do prazo - do dia 2 para o dia 11 - para que ele decida sobre a extradição do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
Straw havia pedido na quinta-feira mais tempo para analisar minuciosamente a solicitação de extradição encaminhada pelo governo espanhol, à qual foram anexadas centenas de páginas de documentos do processo movido contra Pinochet.
Em meio às pressões do Chile para que Straw rejeite o pedido espanhol e restitua a liberdade a Pinochet, a Secretaria de Exterior da Grã-Bretanha informou que o chanceler Robin Cook aceitou reunir-se hoje com seu colega chileno, José Miguel Insulza - que viajou para Londres com a missão de convencer as autoridades britânicas a interferir na decisão de Straw.
Explicarei ao chanceler Insulza que essa matéria é objeto de um processo jurídico, e não um tema aberto a negociações diplomáticas, afirmou Cook.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ressaltou ontem que não intervirá na questão nem espera ser consultado por Straw - que deve emitir seu parecer de acordo com as normas que regem todos os processos de extradição.France-PressePressãoO chanceler chileno chega a Londres para ajudar defesa de PinochetDPA





