Pinochet assume cadeira no Senado hoje
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terça-feira, 10 de março de 1998
DPA e Reuter 
France PresseIzurieta, o novo comandante O general Augusto Pinochet Ugarte se retirou ontem do Exército do Chile, que comandou durante 25 anos. Pinochet se despediu das Forças Armadas com uma enfática declaração de missão cumprida, e entregou o posto ao tenente-general Ricardo Izurieta Caffarena. A cerimônia, presidida pelo presidente Eduardo Frei, foi realizada na Escola Militar Bernardo OHiggins, em Santiago. Hoje Pinochet assume uma cadeira no Senado.
Pinochet foi chefe do Exército por um quarto de século, depois de ser nomeado para o cargo no dia 23 de agosto de 1973 pelo então presidente constitucional Salvador Allende, a quem derrubou 19 dias depois, em um sangrento golpe de Estado. A ditadura de Pinochet foi caracterizada por uma série de violações dos direitos humanos e por reformas fundamentais na economia e nas instituições políticas chilenas.
Em sua chegada à Escola Militar, o presidente Eduardo Frei foi vaiado por grupos de manifestantes simpatizantes de Pinochet reunidos nas proximidades do local da cerimônia histórica.
Em seu discurso, Pinochet falou sobre temas fundamentalmente institucionais, e evitou as questões polêmicas . Falou de seu trabalho como comandante-em-chefe, da modernização do Exército e justificou o sangrento golpe militar de setembro de 1973, afirmando que atendeu a deveres patrióticos. Eram evidentes as possibilidades de autodestruição do Chile, afirmou Pinochet, em alusão à crise política, econômica e social que viveu o país durante o governo socialista de Salvador Allende.
A retirada de Pinochet do comando do Exército não significa o fim de sua influência política: graças à Constituição que ele mesmo promulgou, ele se transforma a partir de agora em senador vitalício da República.
O ato começou com saudações militares a Pinochet, ao ministro da Defesa, Raul Troncoso e ao presidente Eduardo Frei Ruiz Tagle. Posteriormente, o subsecretário de Guerra, Mário Fernandez, leu os decretos correspondentes de retirada de Pinochet do Exército e da nomeação de Izurieta como novo comandante-em-chefe.
No ato solene participaram 3.000 convidados, entre eles delegações militares da Argentina, Brasil, Peru e Equador. Mais de 500 jornalistas foram credenciados para a cerimônia. Do lado de fora da Escola Militar foi realizada uma manifestação de apoio a Pinochet, que reuniu cerca de 200 pessoas, algumas das quais exibiam uma bandeira nazista.
A Avenida Libertador Bernardo OHiggins, no centro de Santiago, converteu-se ontem num campo de batalha. Entre o meio-dia e as 13h30, manifestantes contrários a Pinochet entraram em confronto com os carabineros. Centenas de manifestantes, sobretudo estudantes, jogavam pedras nos carabineros, que reagiam com bombas de gás lacrimogêneo, golpes de cassetete e violentos jatos dágua lançados de carros blindados. Vários jovens foram presos e alguns saíram feridos.
Houve várias marchas de protesto ontem em Santiago, organizadas pela Confederação dos Estudantes do Chile e pela CUT chilena. Desde sexta-feira, as manifestações vinham transcorrendo sem incidentes. Para hoje, estão previstas manifestações - contra e a favor - em Valparaíso (90 quilômetros a oeste de Santiago), sede do Congresso, onde Pinochet tomará posse como senador vitalício.


