O empresário conservador Sebastián PiÀera tomou posse como novo presidente do Chile ontem, substituindo a socialista Michelle Bachelet, em uma cerimônia realizada na sede do Congresso em Valparaíso, 120 quilômetros a oeste de Santiago.
Cerca de 20 minutos antes, um forte terremoto de 7,2 graus de magnitude, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), foi sentido com força em Santiago e em Valparaíso, onde diversos chefes de Estado estavam reunidos para a solenidade.
O novo sismo ocorre apenas 12 dias depois do terremoto de 8,8 graus de magnitude que devastou o sul do país, no último dia 27. Autoridades já confirmaram quase 500 mortos na tragédia. Anteriormente, havia sido divulgado que ao menos 802 pessoas teriam morrido, mas o número foi revisado para 497 mortos no tremor e no tsunami que ocorreu em seguida.
Após o tremor, o Onemi (Escritório Nacional de Emergência, na sigla em espanhol) divulgou um alerta de tsunami para as regiões central e sul do Chile, incluindo Valparaíso.
A réplica - a mais forte desde o terremoto do dia 27, desde quando foram registrados cerca de 200 outros tremores - provocou pânico entre os convidados para a posse no Congresso, fazendo com que vários tentassem deixar rapidamente o local.
O empresário Sebastián PiÀera, que ganhou as eleições do dia 17 de janeiro, vencendo o candidato governista da Concertación, Eduardo Frei, por uma pequena margem, toma posse com a tarefa de reconstruir o país. Ele já anunciou que realizará uma mudança de comando ''austera'', dando passagem a um governo marcado de antemão pelo terremoto que deixou centenas de mortos e mais de dois milhões de desabrigados. ''Nosso futuro governo não vai ser o do terremoto, vai a ser o da reconstrução'', afirmou o presidente, que anunciou ainda que tentará modificar o Orçamento de 2010 a fim de adequá-lo a esse objetivo.
Apenas um dia depois da catástrofe, ele afirmou que destinaria 2% do orçamento do Estado à reconstrução das zonas afetadas, em especial às regiões de Maule e Bío-Bío, ambas no sul. Para isso foram estabelecidas três etapas: a primeira, encontrar os desaparecidos, restabelecer os serviços básicos e reativar o aparelho produtivo; a segunda, reformular o programa de governo antes da catástrofe e, a terceira, iniciar o plano de reconstrução.
A Marinha chilena suspendeu na tarde de ontem o alerta de tsunami decretado após os fortes tremores secundários que atingiram o país e fizeram tremer a capital Santiago. O alerta, contudo, será mantido apenas na Ilha de Páscoa, 3,5 mil quilômetros a oeste do continente, informou o Onemi.

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