Piloto que pousou no rio Hudson vira herói
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sábado, 17 de janeiro de 2009
Folhapress 
São Paulo - O piloto Chesley ''Sully'' Sullenberger, 57 anos, viveu ontem um dia de herói em Nova York, após ter evitado na véspera uma tragédia ao conseguir pousar um Airbus A320 da US Airways no rio Hudson. Todos os 155 passageiros e tripulantes sobreviveram.
Na tarde de quinta-feira, a mais de 800 metros de altura, minutos depois de decolar do aeroporto La Guardia em direção a Charlotte, Carolina do Norte, o piloto avisou a torre de controle que dois pássaros haviam se chocado com as turbinas do avião. Sullenberger tentou ir a outro aeroporto, mas acabou pousando nas águas no Hudson, com a frente do avião para cima. Isso impediu que a aeronave submergisse imediatamente e permitiu o resgate dos passageiros, aterrorizados e com frio (a temperatura estava abaixo dos -6 graus).
O acidente está sendo investigado pela Direção Nacional de Segurança no Transporte dos EUA - que não havia encontrado as turbinas nem a caixa-preta do avião até ontem à noite.
Enquanto isso Sullenberger, ex-piloto da Força Aérea, não poderá se pronunciar publicamente sobre o ocorrido. Mas ele já recebeu elogios do presidente George W. Bush, que destacou sua ''valentia'', e do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que o presenteou com a chave da cidade.
''Ouvi uma explosão e vi chamas na asa esquerda'', contou o passageiro do voo 1549 Dave Sanderson. Logo veio o aviso do piloto: ''Preparem-se para o impacto porque estamos caindo'', segundo afirmou outro passageiro, Jeff Kolodjay.
A passageira Mary Berkwits relatou a tensão vivida após a queda: ''Estávamos lentamente afundando, e a água estava muito fria. Tentávamos ficar próximos uns dos outros para manter-nos aquecidos''. Alguns passageiros conseguiram esperar sobre as asas do avião.
''Se levássemos mais alguns minutos para resgatá-los e aquecê-los, eles teriam morrido (por hipotermia)'', disse John Peruggia, chefe dos serviços médicos emergenciais de Nova York. O ferimento mais grave registrado foi sofrido por uma aeromoça, que quebrou a perna. A aeronave foi ''ancorada'' nas águas do sul de Manhattan, a 6 km de onde caiu.
Investigações
O avião do acidente já havia feito pelo menos outros dois pousos emergenciais na última década, segundo arquivos da FAA (autoridade federal de aviação dos EUA) consultados pelo ''New York Times''. O Airbus A320 é do mesmo modelo do avião da TAM que se acidentou em julho de 2007 em Congonhas, matando 199 pessoas.
O acidente foi uma cadeia de eventos improváveis, segundo especialistas. Aves podem atrapalhar voos comerciais, mas raramente os derrubam. É raro que duas turbinas falhem ao mesmo tempo. Raro também foi o pouso, nas movimentadas águas do Hudson, sem que ninguém se ferisse gravemente. ''Meu marido sempre dizia que era improvável que um piloto sofresse um acidente em sua carreira. Imagine então um como esse'', disse Lorrie, mulher de Sullenberger.
Ontem, investigadores levaram mergulhadores, barcos e uma enorme grua para retirar hoje o avião da água. Suas conclusões devem demorar meses. Por enquanto, acredita-se que as turbinas desligaram após o choque com gansos ou gaivotas.


