A Polícia Federal de Foz do Iguaçu prendeu ontem um integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP), no momento em que ele tentava atualizar documentos para permanecer no Brasil. Até o início da noite de ontem, representantes do Movimento Internacional dos Direitos Humanos tentavam evitar que o colombiano fosse deportado.
Francisco Antonio Cardena Collazos, 50 anos, que usa o pseudônimo de Olivério Medina, tentava renovar o visto de permanência temporária por volta das 8h30, quando o delegado-chefe da Polícia Federal em Foz, Eudes Carneiro, apresentou-lhe o mandado de prisão. Carneiro comentou apenas que o caso está sendo tratado em Brasília. ‘‘O Ministério da Justiça não vai renovar o visto. Ele será deportado em breve’’, comentou.
No último dia 14, o juiz Rony Ferreira, da 2ª Vara Civil Federal de Foz, determinou mandado de prisão preventiva, para fins de deportação, contra Olivério. A prisão preventiva foi um pedido do Ministério da Justiça. Até a conclusão desta edição, o ministério não informou se houve solicitação do governo colombiano no caso.
Acompanhado por seu advogado em Foz, Márcio Rogério de Souza, Olivério depôs por quase duas horas, apresentando-se como membro de uma comissão de relações públicas das Farc.
Na próxima segunda-feira, o advogado irá entrar com um pedido de revogação da prisão para que ele responda o processo de extradição em liberdade.
‘‘Ele é um perseguido’’, disse o advogado, que está tentado obter asilo político para Cardena. Segundo Souza, ele tem medo de ser morto pelas forças paramilitares de direita que combatem as guerrilhas de esquerda, como as Farc, na Colômbia.
O processo de extradição começou em agosto. Como não havia renovado o visto de permanência, a PF buscou informações sobre o membro das Farc.
Em 11 de agosto, o adido policial da Embaixada do Brasil em Bogotá, Ronaldo Urbano, informou a polícia de que Cardena responde a processos por 61 delitos na Colômbia – entre eles, homicídios e sequestros.
No dia 13 passado, o delegado Clyton Estáquio Xavier instaurou processo de deportação sob a alegação de que Cardena é ‘‘nocivo à segurança nacional’’.
O chefe da PF em Foz, delegado Eudes Carneiro, disse ontem que ‘‘a prisão do colombiano é um processo normal, tendo em vista que ele estava com o visto de estrangeiro vencido’’. (Com Agência Folha)

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