O prefeito de Chuí, Mohamad Kassem Jomaa (PFL), está sendo investigado desde dezembro do ano passado devido à suspeita de ter ligações com o terrorista mais procurado do mundo, Osama bin Laden, apontado como suspeito pelos atentados aos Estados Unidos. Em razão da investigação promovida pela Polícia Federal (PF), Jomaa adotou documentos uruguaios, incluindo a carteira de identidade.
De acordo com a PF, o prefeito de Chuí seria líder da ''Máfia Árabe'', que prolifera na fronteira e lida com drogas, armas, ocultação de pessoas procuradas pela polícia, contrabando e lavagem de dinheiro.
''Desafio as polícias brasileira e uruguaia a provarem o que dizem. Eu, de minha parte, pretendo demonstrar que isso é um absurdo'', disse o prefeito.
Jomaa queixa-se da PF, dizendo-se uma ''Geni'' (personagem de uma música de Chico Buarque que é vítima de discriminação e apedrejada).
O Inquérito Policial 715/00, de dezembro de 2000, ainda tramita. Em 26 de junho, a PF o enviou para a 4 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), foro privilegiado que julga os crimes de prefeitos no Rio Grande do Sul.
As investigações se iniciaram com o pedido de separação feito pela mulher do prefeito, Nabiha Jomaa, no dia 6 de julho de 2000, em Beirute. Nos documentos entregues para a Embaixada do Brasil, ela revelou que o marido nasceu no dia 16 de agosto de 1959, no Líbano. Segundo a documentação brasileira, ele teria nascido no dia 25 de novembro de 1960, na Mooca, em São Paulo.
Nas eleições do ano passado (em que Jomaa foi reeleito), um panfleto apócrifo dizia que o candidato pefelista tinha as relações atualmente investigadas com Bin Laden.
A PF já tem evidências de que o prefeito não nasceu em São Paulo. Por isso, sua documentação foi apreendida, e ele recorreu a documentos uruguaios. ''Nego as acusações, elas são como uma sentença de morte'', diz ele.
Com a PF, investigam o caso o Serviço de Inteligência do Exército brasileiro, a Interpol, a inteligência do governo uruguaio e a CIA (inteligência dos EUA).
Cidades fronteiriças de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai têm comunidades muçulmanas em grande número, algumas com representantes ortodoxos. Terça-feira, em Chuy (cidade uruguaia que faz divisa com a brasileira Chuí), foram ouvidos rojões, o que alguns dizem ser comemoração devido aos atentados. A comunidade nega.
Agentes da PF procuraram provas sobre festejos, mas não as acharam. Moradores sustentam que soltar foguetes é costume árabe ao comemorar nascimentos ou tentar atrair clientes para as casas comerciais.
A comunidade árabe do Chuí tem duas preocupações: não ser vítima de represálias durante as investigações dos atentados nos Estados Unidos e saber quem teria feito ''essa barbaridade'', segundo as palavras do prefeito.
Ontem, o prefeito pediu proteção à Polícia Civil e à Brigada Militar do Estado, temendo represálias. O superintendente da Polícia Federal em Porto Alegre, delegado Rubem Albino Fockink, disse ontem que não existe qualquer investigação quanto a possíveis ligações do prefeito com esses grupos.

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