Washington, Estados Unidos - Os preços do petróleo moderaram sua alta nesta terça-feira (14), depois que o presidente americano Donald Trump desistiu de seu plano de cobrar pedágio dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.

Após terem subido mais de 5% no início do dia, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em setembro encerrou com alta de 1,72%, a 84,73 dólares. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI) para agosto, avançou 1,54%, a 79,34 dólares.

Ambas as referências do petróleo bruto subiram quase 10% na segunda-feira, após o anúncio da implementação de um novo bloqueio americano aos portos iranianos, que deveria entrar em vigor nesta terça-feira às 20h GMT (17h no horário de Brasília).

Trump havia apresentado a ideia de receber "uma remuneração equivalente a 20% do valor das cargas" que passam por essa rota estratégica para o comércio de hidrocarbonetos.

Mas, em uma mensagem publicada nesta terça-feira em sua rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos recuou e substituiu esse plano por "acordos de comércio e investimentos" com as monarquias do Golfo.

"Essa guinada pareceu, em certa medida, acalmar as tensões no mercado de petróleo", explicou à AFP John Kilduff, analista da firma Again Capital.

O Irã informou ainda, nesta terça-feira, sobre ataques americanos no Sudoeste, na região petrolífera próxima ao Iraque e ao Kuwait, e em Bushehr, onde fica sua única usina nuclear.

Apesar dos confrontos, Trump ainda considera "possível" um acordo com o Irã, enquanto seguem em andamento as reuniões com os mediadores, segundo a diplomacia iraniana.

Alerta da ONU

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos advertiu, nesta terça-feira (14), que a retomada das hostilidades no Oriente Médio e uma possível interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz podem ter "graves consequências socioeconômicas e humanitárias".

Em um comunicado, Volker Türk expressou preocupação com as informações sobre o fechamento do estreito, rota crucial para o transporte de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais, da qual dependem milhões de pessoas.

Ele também alertou que a retomada dos bombardeios, os mais intensos desde o cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos alcançado em abril, põe em risco os esforços diplomáticos e agrava a instabilidade regional.

Türk instou as partes a proteger a população civil, priorizar a diplomacia e a desescalada, e pediu um retorno imediato ao cessar-fogo, em conformidade com o direito internacional.

Bombardeios

Os Estados Unidos intensificaram, nesta terça-feira, os bombardeios contra o Irã, que respondeu com ataques contra interesses americanos no Golfo. A ameaça de uma guerra aberta ressurgiu após hostilidades sem precedentes desde o cessar-fogo de abril.

O presidente americano afirma que um acordo continua sendo “possível”, mas o Comando Central dos Estados Unidos bombardeou “alvos militares” em várias cidades portuárias do sul do Irã, como Bushehr e Bandar Abbas.

A agência iraniana Fars informou sobre ataques americanos na ilha iraniana de Qeshm, uma posição estratégica próxima ao Estreito de Ormuz, mas afirmou que as explosões não deixaram vítimas.

No total, 28 pessoas morreram no Irã desde que as hostilidades foram retomadas na última quarta-feira, segundo um balanço da AFP baseado em meios de comunicação iranianos e fontes oficiais.

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