São Paulo - A Petrobras foi a única multinacional afetada pelo decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia que ''não acatou'' a decisão do governo Evo Morales, acusam autoridades em La Paz. A afirmação foi feita pelo ministro boliviano de desenvolvimento, Carlos Villegas.
''Com exceção da Petrobras, neste momento, a maioria das empresas que tinham contratos de risco compartilhado tem aceitado e acatado o conteúdo do decreto de nacionalização'', disse o ministro durante a coletiva de imprensa na qual detalhou o plano econômico de Evo Morales para os próximos cinco anos.
Em Curitiba, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse ontem que as negociações com os bolivianos avançam normalmente. ''Estamos conversando com o governo boliviano semanalmente'', disse Gabrielli. Um dos temas das conversas é o reajuste do preço do gás importado pelo Brasil. O presidente da Petrobras não comentou a posição negociadora brasileira em relação à demanda boliviana.
Segundo fonte do Itamaraty, a pressão sobre a Petrobras deverá crescer nas próximas semanas, principalmente depois que a Bolívia assinar o novo acordo de venda do gás com os argentinos, o que deve ocorrer dia 29, em Buenos Aires. Informações que circulam em La Paz indicam que o governo argentino aceitou um preço entre US$ 5,30 a US$ 5,50 por milhão de BTU (unidade britânica que mede poder calorífico).
Hoje, Brasil e Argentina pagam cerca de US$ 3,40 por milhão de BTU. A Argentina teria aceitado o valor com a condição de continuar a exportar para o Chile.
As negociações sobre preços devem ganhar corpo a partir do final do mês. A Yaciamentos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) afirma que o prazo para instalar as negociações será 28 de junho. A YPFB já teria enviado à Petrobras uma notificação oficial sobre sua decisão de revisar a fórmula de fixação do preço do gás, hoje vinculada a uma cesta de óleos combustíveis.

mockup