Pesquisas projetam ganhos modestos para republicanos
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segunda-feira, 02 de novembro de 1998
Das agências 
As eleições legislativas de amanhã são determinantes para o futuro do presidente Bill Clinton, devido à ameaça de destituição que pesa sobre ele por ter pretendido esconder uma relação extraconjugal da Justiça dos Estados Unidos. Uma grande vitória dos republicanos, que já dispõem de uma pequena maioria nas duas casas do Congresso, abriria as portas para aqueles que reclamam a destituição do presidente e limitaria ainda mais a margem de manobra do mandatário no plano legislativo.
Uma eventual vitória estimularia os republicanos a renovar seus ataques contra o vice-presidente Al Gore - o que poderia ameaçar suas ambições presidenciais para as eleições do ano 2000 -, ao insistirem em designar um promotor independente para determinar se, em 1996, ele transgrediu a lei sobre o financiamento de campanhas eleitorais.
Mas são os democratas que provavelmente acordarão na quarta-feira com mais razões para se declararem satisfeitos com os resultados das urnas. A principal delas é a esperada vitória do candidato de seu partido na disputa ao governo da Califórnia, o mais populoso e, politicamente, o mais importante estado dos EUA.
De acordo com as últimas pesquisas, os republicanos continuam sendo os vencedores e podem subir de 15 para 20 seu número de cadeiras, chegando a 288 (das 435 totais) de que dispõem na Câmara de Representantes.
No Senado, os conservadores precisam ampliar sua bancada atual de 55 para 60 cadeiras para reclamar um claro triunfo. Uma maioria de 60 os deixaria em posição de impedir manobras de obstrução parlamentar dos democratas e impor sua agenda. As últimas sondagens apontam, no entanto, para um ganho máximo de quatro cadeiras, com a probabilidade maior de este se resumir a apenas duas. E não está descartada a possibilidade de os republicanos apenas manterem a atual relação de força no Senado. Esse desfecho, combinado com o triunfo democrata na disputa ao governo da Califórnia, seria suficiente para dar um caráter de derrota política à vitória que os republicanos devem registrar em termos aritméticos nas eleições.
De qualquer modo, sua vitória dependerá da participação eleitoral na votação. Um pequeno índice (31%) de participação permitiria aos republicanos obter 51% de votos contra 41% dos democratas, segundo uma pesquisa do canal CBS e do jornal The New York Times, publicada na última sexta-feira.
A participação eleitoral é tradicionalmente pequena nos Estados Unidos, principalmente nas legislativas que se realizam na metade do mandato presidencial, cujos resultados vão, há mais de um século, em detrimento do partido do homem que está no poder.
Espera-se uma abstenção de perto de 65%, que reflete a apatia crescente dos eleitores mas está dentro dos padrões dos últimos vinte anos em votações que não coincidem com decisões presidenciais.


