Pesquisas de boca-de-urna indicavam ontem que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, obteve uma ampla vitória sobre seu principal adversário nas eleições presidenciais, Francisco Arias Cárdenas. A sondagem do jornal de Caracas El Nacional, divulgada por sua página na Internet minutos antes do encerramento da votação, mostrava que Chávez deveria obter 54% dos votos e Cárdenas, 34%.
Esse resultado contrasta com outra pesquisa, divulgada pelo comando de campanha de Arias, que confere a ele 51% dos votos e a Chávez, 46%. Durante toda a campanha eleitoral, Chávez manteve a liderança em quase todas as pesquisas com uma vantagem de entre 12 e 17 pontos porcentuais sobre Arias Cárdenas – seu ex-amigo e companheiro de armas na tentativa de golpe contra o ex-presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez, em fevereiro de 1992.
O estudo do El Nacional aponta ainda que partidos aliados ao governo de Chávez não devem obter a maioria qualificada dos 165 assentos da nova Assembléia Nacional – que substitui o antigo Congresso venezuelano.
Contrariando previsões do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), observadores eleitorais estimavam, ainda antes do fechamento das urnas, que a abstenção ficaria muito abaixo dos 50% nas ‘‘megaeleições’’ venezuelanas, convocadas para relegitimar todos os cargos eletivos do país – como exige a nova Constituição, referendada em dezembro. O processo de relegitimação de todos os cargos eletivos do país encerra-se em 1º de outubro, com a eleição de vereadores e deputados provinciais.
Com a vitória, Chávez obtém o direito de permanecer na presidência venezuelana por mais seis anos. Graças à mudança na Constituição, poderá candidatar-se à um novo mandato ao fim do primeiro período.
O ‘‘projeto bolivariano’’ – referência ao principal ídolo político do presidente, o herói latino-americano nascido na Venezuela, Simon Bolívar – de Chávez tem a pretensão de levar o país de volta à prosperidade dos anos 70, impulsionada pela crise do petróleo. A combinação de má administração de recursos, corrupção e a queda do preço do produto no mercado internacional a partir do início da década de 80, afundou na pobreza a única nação ocidental da Organização Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Muitos venezuelanos parecem acreditar nas afirmações de Chávez de que após reestruturar o governo e a eleição de ontem – a sexta desde novembro de 1998 –, a próxima fase da revolução irá tratar sobre o que realmente importa para a população: emprego, dinheiro e segurança.

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