O comparecimento maciço dos eleitores numa votação tranquila e quase sem incidentes, beneficiada pelo bom tempo em todo o México, mantinha na tarde de ontem o suspense e reavivava a possibilidade de um triunfo da oposição na eleição presidencial, que parecia ter arrefecido nos dias finais da mais livre e renhida campanha política da história do país.
Faltando três horas para encerrar-se a votação na Cidade do México e na maior parte do país, duas pesquisas independentes de boca-de-urna indicavam a vitória de Vicente Fox, o líder da Aliança para a Mudança, por uma margem de 4 pontos percentuais sobre Francisco Labastida, o candidato do Partido Revolucionário Institucional, que está no poder há 71 anos.
Uma pesquisa de boca do urna do próprio PRI, feita em áreas urbanas, dava seu candidato à frente, mas por uma diferença de apenas dois pontos – bem menor do que os seis pontos percentuais ou 2 milhões de votos que o próprio Labastida previra como margem de sua vitória, num encontro com jornalistas estrangeiros, no sábado.
Tomadas em conjunto, as três pesquisas sugeriam que a situação de empate verificado pelas últimas pesquisas autorizadas, persistiu e que a margem de vitória será apertada, qualquer que seja o vencedor.
A primeira projeção oficial do resultado, baseada na contagem rápida de uma amostragem nacional de urnas, que o Instituto Federal Eleitoral (IFE) encomendou a três empresas especializadas, sairia às 11 da noite da Cidade do México, 1 da manhã da segunda-feira em Brasília.
Alguns incidentes isolados mantinham no ar o espectro de uma nova fraude priista, mas esta parecia restrista às zonas rurais mais remotas do país, onde havia um total de 2,5 milhões de votos em jogo em cerca de 15 mil (de um total de mais de 13 mil) seções eleitorais, o suficiente para decidir uma eleição apertada.
As pesquisas indicavam uma votação bem dividida também para as eleições parlamentares, com grande probabilidade de que o quadro atual seja mantido. Isso obrigará o próximo presidente a formar alianças com outros partidos.
O PRI (Partido Revolucionário Institucional), há 71 anos no poder, tem atualmente a maioria no Senado. Mas perdeu, em 1997, a maioria absoluta na Câmara, numa derrota inédita.
O PRI, do candidato presidencial Francisco Labastida, é a maior força no Legislativo, seguido pelo partido de centro-esquerda PRD (Partido Revolucionário Democrático), do candidato Cuauhtémoc Cárdenas, pelo partido de centro-direita PAN (Partido da Ação Nacional), do candidato Vicente Fox Quesada, e por outras cinco pequenas agremiações.

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