Pesquisas apontam empate técnico na Alemanha
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domingo, 18 de setembro de 2005
France Presse 
BERLIM - O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e a candidata conservadora Angela Merkel estavam empatados ontem, após as eleições legislativas na Alemanha, provocando um impasse político no país.
As projeções dos institutos de pesquisa davam ao Partido Democrata Cristão (CDU), de Merkel, e à aliada União Social Cristã (CSU) 35% dos votos, contra 34% para o Partido Social Democrata (SPD), de Schroeder.
Segundo o instituto Forsa, os social-democratas e os democrata-cristãos conquistaram exatamente 222 cadeiras cada. De acordo com o instituto Infratest-dimap, as duas formações levam cada uma 223 cadeiras no Parlamento (Bundestag).
O empate, apesar do maior percentual dos conservadores, se explica pelo sistema alemão de voto distrital.
O Partido Liberal Alemão (FDP), aliado de Merkel, obteve 10% dos votos, o que não é suficiente para a coalizão conservadora chegar aos 48,5% necessários para controlar o Parlamento. Os Verdes, que governam com Schroeder, receberam 8% dos votos.
Falando logo após a divulgação das primeiras projeções e pesquisas de boca-de-urna, Merkel afirmou que recebeu ''um mandato claro para formar o governo'', mas Schroeder respondeu dizendo que ''os alemães votaram claramente no que se refere à chancelaria'' e Angela perdeu as eleições.
As formações cristãs ''CDU e CSU constituem a força mais importante'' neste momento, afirmou Merkel, enquanto Schroeder insistia em permanecer à frente de um ''governo estável'' nos próximos quatro anos.
Declarado o impasse, Merkel deixou claro que ''conversará com todos os partidos alemães, exceto com a esquerda'' radical, para formar uma coalizão de governo, o que foi repetido exatamente por Schroeder.
''A campanha eleitoral passou, trata-se agora de formar um governo estável'', disse Merkel, ao responder o presidente do SPD, Franz Muntefering, que minutos antes qualificara a vitória dos democrata-cristãos por mínima margem de ''derrota pessoal'' da candidata conservadora.
Merkel se apressou em esclarecer que formaria uma grande coalizão com Schroeder, dizendo que o governo ''vermelho e verde (social-democratas e Verdes) terminou, mas admitindo que não conseguiu a maioria absoluta. O chanceler alemão reagiu excluindo qualquer negociação para um governo de coalizão sob a liderança dos conservadores.
''Merkel não conseguirá formar uma coalizão com o SPD com ela como chanceler'', declarou Schroeder em entrevista à TV alemã. ''Os alemães votaram claramente no que se refere à chancelaria'' e Angela Merkel perdeu as eleições''.
O chanceler também anunciou que para formar o novo governo vai conversar com todos os partidos políticos alemães, exceto com os ex-comunistas do PDS.
''Considero que posso agir de tal forma que haja nos próximos quatro anos um governo estável e sob minha direção'', disse Schroeder com ar confiante, em declarações na sede do Partido Social Democrata.
''Os que queriam uma alternância na chancelaria fracassaram de forma espectacular'', afirmou Schroeder sobre os conservadores e liberais, que não atingiram a maioria absoluta.
Em meio à polêmica, o Partido Liberal alemão (FDP) foi enfático ao descartar uma aliança com o SPD de Schroeder: ''Esperamos por uma coalizão com o CDU (...). Se não for possível, vamos para a oposição'', afirmou Guido Westerwelle, que preside a formação com mais de 10% dos votos nesta eleição, contra 7,4% em 2002. ''Somos os vencedores do dia, a terceira força política'' do Parlamento, destacou Westerwelle.


