Pesquisas de boca de urna apontam a vitória do candidato de centro-esquerda Alejandro Toledo, um economista de origem andina, no segundo turno das eleições para a presidência do Peru realizadas ontem. De acordo com os dados divulgados pelas emissoras de TV, Toledo obteve entre 6% e 8% de votos a mais que o seu concorrente, o social-democrata Alan García.
Para a empresa Apoyo, Toledo conquistou 44,5% e García 38,9% dos votos, já a firma Analistas y Consultores deu a Toledo 54,4% e a García 45,6%.
Para a Companhia Peruana de Pesquisa de Mercados Toledo chegou a 46,2% García 40,1%, enquanto a Datum registrou 53,3% para Toledo e 46,7% para García.
Os postos eleitorais se abriram às 8 horas locais para receberem o sufrágio de 14,9 milhões de eleitores no país de 26 milhões de habitantes.
Segundo uma pesquisa divulgada na véspera, o economista Toledo obteria 43,4% dos votos contra 38,2% para García, que governou o Peru entre 1985 e 1990. A sondagem do Instituto Apoyo disse que a margem de erro está em torno de 2%.
‘‘Aceitaremos com resignação a vontade do povo. Não queremos que o país se polarize’’, disse Toledo, acrescentando que pediria a García ‘‘para dar serenidade a nossos seguidores, e aceitar os resultados, sejam eles quais forem’’.
Quase simultaneamente, em entrevista à imprensa, García dizia estar ‘‘convencido de que, seja qual for o resultado, será para o bem de nossa pátria... creio que de qualquer maneira haverá um governo de unidade nacional.’’ Ele reiterou o que havia dito nos últimos dias, de que estará às ordens do novo governo para trabalhar em favor desse acordo.
‘‘Vote cada um em quem quiser. Não vote em branco. Não anule o voto. Ninguém ganha (com isso), muito menos o país’’, acrescentou García, num apelo aos eleitores.
Foi uma alusão a uma campanha promovida pelos jornalistas Alvaro Vargas Llosa e Jaime Bayly, para que os peruanos votassem em branco em protesto contra os dois candidatos finalistas do primeiro turno realizado em abril.
É a quarta eleição presidencial em um ano. Os peruanos votaram em dois turnos no ano passado, dos quais resultou reeleito Alberto Fujimori em meio a denúncias de fraude, e voltaram à urnas em abril deste ano após a queda do governante.
Tarefa difícil O presidente do governo de transição, Valentín Paniagua, disse que o novo governo do Peru terá uma tarefa difícil e delicada pela frente, pois terá que reconstruir um país que atravessou dez anos sob uma ditadura.
Depois de votar na Universidade Nacional Agrária de La Molina, Paniagua declarou à imprensa que irá se encontrar com o futuro presidente para coordenar ações conjuntas antes da posse no dia 28 de julho.
Ele fez questão de destacar que nos sete meses de trabalho de seu governo de transição conseguiu ‘‘estabilizar a economia, restaurar a autonomia e a independência dos poderes, com uma admnistração ordenada, com transparência absoluta e total’’.

mockup