France PresseEm campanhaO líder trabalhista, Tony Blair, em campanha junto aos jovens. Apesar das indicações sobre a vantagem de seu partido, ele quer luta até o fimA campanha eleitoral na Grã-Bretanha está encerrada e as urnas já prontas para receber amanhã, a partir das 8 horas, os votos de 43 milhões de britânicos espalhados pelo Reino e com residência no exterior. Nada parece ter mudado nas previsões feitas pelos institutos de opinião pública, que até o final da noite de ontem continuavam garantindo que os conservadores serão alijados do poder, possivelmente, de uma forma que nunca esperaram viesse a acontecer.
O primeiro-ministro John Major, que assumiu pessoalmente o comando da campanha ao ver-se prejudicado por dissidências no seu time de ajudantes, viajou até o sul da Inglaterra e repetiu, de lá, o apelo dramático que fizera diante da sede do Parlamento, no dia anterior: ‘‘Ainda há tempo de salvar o Reino Unido’’, advertiu ele, ‘‘do desmantelamento de sua economia, do desmembramento e da subserviência à Europa.’
Horas antes, entrevistado por um dos canais de televisão da BBC, o primeiro-ministro havia reiterado a sua confiança numa virada de última hora, dizendo que acreditava ‘‘na luta até o último homem e até o último assalto’’. Mas admitiu, veladamente, a derrota quando declarou que qualquer que seja o veredito, amanhã, ele será aquele que o eleitorado acha justo. ‘‘Essa é a natureza da democracia’’, completou ele.
Como vinha acontecendo nos últimos dias, nos seus discursos de ontem Major deu ênfase a três das questões que tocam mais de perto o coração dos britânicos e que estariam sustentando a indecisão de uma parcela da população, sobretudo da classe média: o temor de que os trabalhistas possam pôr a perder os ganhos econômicos que o país obteve nos 18 anos de administração conservadora; uma eventual independência da Escócia, a partir da liberdade parcial prometida pelos trabalhistas de administrar seus negócios; e a adesão do Reino Unido ao sistema de moeda única proposto pela União Européia.
A união monetária, prevista para 1999, divide a nação e foi o tema mais explorado em toda a campanha. O temor à perda da libra esterlina, somado ao desconhecimento do que significaria para o país a moeda única, disseram analistas políticos, poderia produzir uma nova surpresa na noite de amanhã, exatamente como a que aconteceu nas eleições de 1992.
Diante da urna, na hora de votar, uma grande parcela do eleitorado diria não aos conservadores e aos trabalhistas e daria o seu apoio ao Partido Liberal Democrata, de Paddy Ashdown, ou, quem sabe, ao Partido do Referendo, criado pelo milionário Sir James Goldsmith para abrigar os que desejam a integração total com a Europa.
Mesmo que a opção dos indecisos não seja suficiente para derrotar os trabalhistas, apontados nas últimas sondagens de opinião como favoritos, com uma vantagem de até 24% em relação aos conservadores, a perspectiva de uma vitória apertada não agrada a Tony Blair. O líder trabalhista foi encerrar a sua campanha na cidade de Birmingham e, lá, entre promessas de melhores dias para os usuários do sistema de saúde pública, de melhorias no ensino e de menos impostos, fez ao eleitorado trabalhista um apelo: que ignorem as previsões e compareçam para votar.

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