O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/Soja) de Londrina, José Francisco Ferraz de Toledo, 53 anos, estava em Bagdá, na sede da FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura), que fica distante do local onde ocorreu a explosão na última terça-feira. Toledo foi para o Iraque em junho deste ano e assumiu a coordenação de projetos agrícolas da FAO.
Anteontem, ele entrou em contato telefônico com o também pesquisador da Embrapa, Paulo Roberto Galerani, que foi consultor da FAO no Iraque até junho deste ano. ''Ele comentou que a sede da ONU estava desprotegida. A gente achava que, pelo caráter do trabalho que desenvolvemos seríamos preservados desse tipo de ataque. Mas a verdade é que a segurança está descuidada'', comentou.
Galerani, que está em Londrina, disse que o atentado à sede da ONU provocou uma baixa na moral entre os funcionários. ''Somos alvo. Infelizmente descobrimos isso tarde demais. E um choque grande se abateu sobre as pessoas por lá'', comentou. ''Toledo vinha fazendo projetos desenvolvimentistas na parte agrícola, dava andamento aos trabalhos como se estivesse numa situação estável'', disse o pesquisador.
Galerani foi consultor da FAO no Iraque por 11 meses. Ele participou do Programa ''Oil-for-Food'' (Petróleo por alimento) que teve como objetivo a reabilitação do setor agropecuário do Norte do Iraque. Inicialmente, a atuação da FAO no Iraque restringia-se à distribuição de alimentos à população curda que sofre as sanções impostas pela ONU ao governo iraquiano. Com a derrota na guerra contra o Kuwait, a ONU determinou que o país deveria reverter 13% dos recursos de exportação e petróleo para o povo curdo.

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