France Presse
De Moscou
A Rússia designará hoje o sucessor de Boris Yeltsin no Kremlin: uma eleição em que o presidente interino, Vladimir Putin, aparece como claro vencedor logo no primeiro turno.
Os principais institutos de pesquisa prevêem a vitória de Putin, com 55% dos votos, de acordo com os resultados de uma última pesquisa. Para ganhar o primeiro turno, são necessários 50% dos votos mais um. ‘‘Não há possibilidades de um segundo turno’’, resume Alexander Oslon, diretor do Fundo de Opinião, um dos principais institutos russos.
Ante esses prognósticos, as autoridades russas se lançaram em uma campanha para evitar uma abstenção em massa entre os 108 milhões de eleitores habilitados a votar. Segundo a lei eleitoral russa, uma participação inferior a 50% invalidaria a eleição.
Vladimir Putin pediu anteontem aos eleitores a mobilização total para eleger o presidente, cuja tarefa, segundo ele, ‘‘é recuperar a economia, restituir ao país seu prestígio e seu papel no mundo, tornar a Rússia de novo controlável e dar a todos estabilidade e um nível de vida decente’’.
O discurso de Putin transmitido pela televisão foi seguido de um apelo semelhante por parte do Patriarca de Todas as Rússias, Alexis II, e do presidente da União dos mufti da Rússia, Ravyl Gainudin.
Entretanto, segundo os analistas, não há motivos para preocupação. A participação alcançará pelo menos 65%, asseguraram os diretores dos quatro principais institutos sociológicos russos.
A eleição, organizada em 94 mil centros eleitorais, começará às 8 horas locais de hoje (17 horas de ontem pelo horário de Brasília) no Extremo Leste, e acabará às 14 horas de hoje (hora de Brasília) em Kaliningrado, Oeste do país. Os primeiros resultados serão divulgados coincidindo com o fechamento do último centro de votação.
O principal adversário de Vladimir Putin, de 47 anos, é o comunista Guenadi Ziuganov, de 55 anos, que conta com 25% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas.
O presidente interino conseguiu sua popularidade graças à sua ‘‘linha-dura’’ contra o ‘‘terrorismo’’ checheno. Também utilizou o sentimento de humilhação dos russos, ex-cidadãos soviéticos que perderam seu estatuto de grande potência.
Este ex-oficial da KGB (serviço de segurança interior do Estado soviético) também apelou ao patriotismo dos russos frente a uma suposta ‘‘ameaça’’ interior e exterior.
Putin também tem intenção de incrementar a centralização do poder na Rússia e rejeitar determinados acordos entre o Kremlin e as regiões, considerados incompatíveis com a Constituição.
A imprensa russa, que já considera Putin eleito, afirmou ele vai nomear o atual vice-primeiro-ministro, Mikhail Kasianov, ao cargo de primeiro-ministro, citando fontes no Kremlin e no governo. As prerrogativas de Kasianov, de 42 anos, ex-ministro das Finanças, seriam reduzidas, frente a um poder presidencial reforçado.Diante do prognóstico, os líderes governistas se lançaram a uma campanha para evitar abstenção na votação de hoje, única ameaça ao candidato favorito
France PresseOs principais institutos de pesquisa russos prevêem que Vladimir Putin receberá 55% dos votos. Para se eleger no primeiro turno ele deve alcançar 50% mais umFrance PresseHomem caminha em frente a um prédio destruído em Grozny; guerra da Chechênia foi um dos pontos fortes da campanha de Putin