Pesquisa comprova que D. João VI morreu envenenado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de maio de 2000
Agência Estado De Lisboa 
Um boato que corria na corte portuguesa há 174 anos foi finalmente confirmado: rei D. João VI foi envenenado. O assassinato do monarca foi descoberto por três pesquisadores que analisaram uma urna com as vísceras do rei.
A quantidade de arsênico deveria corresponder ao dobro do necessário para matar uma pessoa, cerca de 240 miligramas, afirma o arqueólogo Francisco Rodrigues Ferreira.
Segundo as crônicas da época, D. João VI teria começado a passar mal no dia 4 de março de 1726. Seis dias depois, acabaria por morrer. Deve ter sido uma intoxicação subaguda, com diarréia abundante, convulsões, desidratação, que normalmente leva a uma insuficiência cardíaca, conta o médico legista Armando Santinho Cunha.
Na época diziam que D. João VI teria sido envenenado ao comer uma laranja em que tinham injetado a peçonha, como se chamavam então os venenos.
O assassinato de D. João VI acirrou a disputa entre os liberais apoiados por seu filho D. Pedro I, imperador do Brasil e os absolutistas, liderados por seu outro filho, D. Miguel. Em 1823 e 1824 já tinham ocorrido duas revoltas dos absolutistas. Em 1827, os liberais vencem e obrigam D. Miguel a aceitar a Constituição; além disso, ele teve de casar com sua sobrinha, filha de D. Pedro I.


