Um boato que corria na corte portuguesa há 174 anos foi finalmente confirmado: rei D. João VI foi envenenado. O assassinato do monarca foi descoberto por três pesquisadores que analisaram uma urna com as vísceras do rei.
‘‘A quantidade de arsênico deveria corresponder ao dobro do necessário para matar uma pessoa, cerca de 240 miligramas’’, afirma o arqueólogo Francisco Rodrigues Ferreira.
Segundo as crônicas da época, D. João VI teria começado a passar mal no dia 4 de março de 1726. Seis dias depois, acabaria por morrer. ‘‘Deve ter sido uma intoxicação subaguda, com diarréia abundante, convulsões, desidratação, que normalmente leva a uma insuficiência cardíaca’’, conta o médico legista Armando Santinho Cunha.
Na época diziam que D. João VI teria sido envenenado ao comer uma laranja em que tinham injetado a ‘‘peçonha’’, como se chamavam então os venenos.
O assassinato de D. João VI acirrou a disputa entre os liberais – apoiados por seu filho D. Pedro I, imperador do Brasil – e os absolutistas, liderados por seu outro filho, D. Miguel. Em 1823 e 1824 já tinham ocorrido duas revoltas dos absolutistas. Em 1827, os liberais vencem e obrigam D. Miguel a aceitar a Constituição; além disso, ele teve de casar com sua sobrinha, filha de D. Pedro I.

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