Lima - O Peru realizou ontem o segundo turno eleitoral pela presidência, numa disputa histórica que decide quem vai ser o próximo governante até 2011. O processo envolveu 16,5 milhões de eleitores e foi acompanhado por cerca de 90.000 soldados e policiais.
A contagem dos votos começou ainda ontem mas o anúncio final pode levar até uma semana.
As propostas de Humala e García se dirigem, basicamente, a um eleitorado pobre em sua maioria, que se considera excluído dos benefícios do modelo econômico liberal que permitiu ao país crescer uma média de 5% ao ano desde 2001. O Peru tem 27 milhões de habitantes, dos quais 52% são pobres e 19% vivem em extrema pobreza.
García promete uma mudança moderada e ''responsável'', enquanto Humala fala de uma mudança radical e critica o ''caduco modelo econômico'', propondo a nacionalização dos recursos naturais.
As eleições foram supervisionadas por uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), para garantir a transparência do processo.
No Peru, o voto é obrigatório e quem não for às urnas terá de pagar uma multa equivalente a 40 dólares.
Ao contrário do primeiro turno, em 9 de abril passado, desta vez, García saiu como favorito segundo todas as pesquisas. Humala venceu o primeiro turno com 30,6% dos votos, seguido por García, com 24,3%.
O vencedor assumirá em 28 de julho próximo, por um período de cinco anos, e substituirá Alejandro Toledo, cujo mandato chega ao fim com índice de popularidade em 30%. Toledo será o primeiro presidente em mais de três décadas a entregar a seu sucessor um país saneado economicamente.
A economia peruana foi uma das que mais cresceram nos últimos anos na América Latina. Em 2005, o PIB avançou mais de 6%, a inflação ficou em 1,3%, a dívida externa total caiu para cerca de 29 bilhões de dólares, o peso do PIB na dívida pública retrocedeu de 46% para 38% e o déficit fiscal é de 1%.

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