Peruanos elegem seu presidente hoje, depois de quatro campanhas
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sábado, 02 de junho de 2001
Por Roberto Cortijo Agência France Presse De Lima 
Um total de 14.906.233 peruanos vão às urnas hoje para decidir se quem vai governar seu país será o economista de centro Alejandro Toledo ou o ex-presidente social-democrata Alan Garcia, depois de quatro longas e disputadas campanhas eleitorais.
Os comícios têm um prazo de 24 horas para serem realizados, permitindo que os eleitores reflitam sobre o seu voto, sem a pressão da propaganda política, que acabou à meia-noite de sexta-feira.
A poucas horas da eleição, Toledo, do partido Peru Possível, mantém pequena vantagem nas pesquisas mais recentes de intenção de voto, que entretanto não descartam a possibilidade do adversário da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), vencer o pleito.
Os resultados das pesquisas fizeram com que estas eleições sejam consideradas as mais disputadas das últimas duas décadas.
Será a quarta vez que os peruanos vão às urnas em um ano. Em 2000, foram duas: o primeiro turno e segundo das eleições presidenciais, que resultaram na vitória do ex-presidente Alberto Fujimori, destituído devido a acusações de graves irregularidades.
Este ano, depois da queda de Fujimori, os peruanos foram às urnas pela terceira vez em um ano, no dia 8 de abril, determinando um segundo turno entre Toledo e Garcia.
Esse longo processo, marcado pelo alto índice de descontentamento dos peruanos, (grande parte votou em branco), foi mais uma vez uma guerra suja de acusações e baixarias envolvendo a vida pessoal dos candidatos.
Atualmente, o Peru se encontra sob lei seca, o que impede a venda de bebidas alcóolicas em todo país. Cerca de 145 mil homens das Forças Armadas e da Polícia se encontram prontos para dar segurança às eleições.
No Peru, um país de 25 milhões de habitantes, o sufrágio é obrigatório para os maiores de 18 anos, segundo a Constituição. Do total de eleitores, mais de 225 mil estão no exterior.
As mesas de sufrágio serão 91.697, segundo a Oficina Nacional de Processos Electorais. Além disso, outras 1.647 funcionarão no exterior.
Toledo lidera o partido Peru Possível, que é um conglomerado de personalidades de centro e liberais. Ele se formou economista na Universidade de Stanford (Califórnia, Estados Unidos), mas tem origem humilde e nasceu no distrito de Cabana, departamento de Ancash (região andina).
Seu nome ultrapassou as fronteiras do Peru quando alegou fraude nas eleições de 2000 e liderou o movimento que desafiou a legitimidade do governo Fujimori. O ex-presidente Alan García, advogado e político desde jovem, com grande capacidade oratória, governou entre 1985-90.
Sua gestão foi muito criticada devido aos péssimos resultados econômicos e ele teve que sair do país depois do autogolpe de Fujimori em abril de 1992, quando sua casa foi rodeada por cerca de 200 soldados.
Depois de oito anos exilado na Colômbia e na França, Garcia voltou ao Peru, devido a uma resolução do Judiciário, que julgou proscritas as acusações de enriquecimento ilícito.


