Peruanos crêem na volta do terrorismo
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de abril de 1997
Das agências, de Lima 
O terrorismo ressurgirá no Peru depois do ataque militar à mansão do embaixador japonês em Lima, segundo 37% dos limenhos, assinala uma pesquisa da empresa Datum Internacional feita na capital peruana e divulgada ontem. Esta percentagem é superior àqueles que pensam que a atividade terrorista no país está derrotada (24%) e aos que sustentam que o terrorismo se manterá igual (29%), segundo a pesquisa.
A maioria dos peruanos entrevistados acredita que a operação de resgate dos 72 reféns da residência do embaixador japonês foi planejada com mais de 30 dias de antecedência. A apuração assinalou que 72% dos entrevistados acreditam que a ação, chamada de Chavín de Huantar, foi preparada há mais de um mês, ao mesmo tempo em que se negociava uma saída pacífica com os rebeldes do MRTA.
O estudo, publicado pelo jornal O Comércio, foi feito com 300 pessoas, dois dias depois da invasão surpresa da mansão por uma tropa de 140 militares que resgataram com vida 71 dos 72 reféns.
Fujimori explicou que para a invasão foi construído um sistema de túneis sob a casa, para pegar de surpresa o grupo de guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) que manteve os reféns em cativeiro por 126 dias.
Assim mesmo, a pesquisa ratificou o aumento da popularidade do presidente Alberto Fujimori. Seis em cada dez peruanos consideram que a imagem do presidente melhorou. Há uma semana, esta se encontrava no nível de popularidade mais baixo de sua gestão. Analistas concordam que o êxito da invasão, durante a qual morreram 24 rebeldes, três militares e um refém, aumentou a popularidade de Fujimori.
Aproveitando o momento, o ministro do Exterior peruano pediu à Alemanha para cancelar o asilo político dado ao porta-voz internacional do MRTA, Isaac Velazco. Segundo as autoridades peruanas, Velazco estaria lançando ameaças e falsas informações sobre o governo do Peru, informou o jornal pró-governo Expreso, citando uma fonte ministerial não identificada.
Velazco, um peruano que recebeu asilo na Alemanha em 1993, tornou-se uma figura chave no drama dos reféns como o principal porta-voz do MRTA. Durante as 18 semanas que antecederam a operação de resgate, ele deu entrevistas em várias cidades européias e soltou comunicados regulares representando os 14 rebeldes que estavam na residência do embaixador japonês.


