Os peruanos continuavam ontem assolados por dúvidas, confusões e rumores provocados pelo retorno ao país do ex-assessor de Inteligência Vladimiro Montesinos.
Desde que Montesinos voltou há dois dias do Panamá, a crise política – desatada em setembro por um escândalo que teve nele o principal protagonista – se tornou mais aguda e de resultados imprevisíveis, em meio a rumores de um golpe militar.
Ninguém sabe onde se encontra agora o poderoso advogado e ex-capitão do Exército que manejou o Serviço de Inteligência do país como braço direito do presidente Fujimori.
Para alguns, Fujimori e Montesinos planejaram o retorno deste último do Panamá para ‘‘assustar’’ os opositores com a ameaça de um golpe militar, enquanto outros sustentam que Fujimori quer prender Montesinos para resgatar a imagem de um presidente que controla o país.
Versões da imprensa coincidem em dizer que Fujimori mandou prender anteontem cinco militares, entre os quais dois coronéis do Exército, durante seu percurso por vários quartéis em busca do ex-assessor, para detê-lo.
Montesinos, em declarações feitas anteontem por telefone à Rádio Programas, jogou mais lenha na fogueira política ao afirmar que o governo o ajudou a retornar do Panamá.
O ex-chefe do serviço secreto disse que sua intenção não era a de desestabilizar a democracia e, sim, a de viver normalmente no Peru, exercendo sua profissão de advogado.
‘‘Quem manda no Peru, pelo amor de Deus?’’, perguntou anteontem à noite, em uma manifestação, o líder opositor Alejandro Toledo, para quem o alto comando militar continua apoiando Montesinos e realmente controla o país, e não Fujimori.
Fujimori afirmou ontem que a etapa de transição para as novas eleições deve ser ‘‘pacífica, ordenada’’ e sem ‘‘distorções, nem internas nem do exterior’’, num breve discurso feito antes de se reunir com o secretário-geral da OEA, César Gaviria.

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