Peru está sob estado de emergência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2003
France Presse 
Lima O presidente peruano, Alejandro Toledo, estabeleceu, na noite de erça-feira, o estado de emergência para enfrentar a onda de protestos sociais que viola as ''liberdades fundamentais''.
''Decidimos declarar estado de emergência nacional por trinta dias para que sejam exercidas livremente as liberdades pessoais e o direito à livre circulação'', disse o presidente.
Em mensagem à imprensa, Toledo atribuiu o controle interno do país às forças armadas, que contarão com a ajuda da polícia.
''Temos a responsabilidade de proteger o cidadão e manter a ordem pública, temos a responsabilidade de defender a democracia que tanto nos custou recuperar'', acrescentou.
Toledo disse ainda que o governo decidiu reabrir as escolas e a circulação nas estradas que estavam bloqueadas desde segunda-feira.
O país enfrenta há mais de duas semanas uma greve geral de professores das escolas estatais por tempo indeterminado. A paralisação dos educadores afeta oito milhões de estudantes.
Na segunda-feira, agricultores de todo país começaram também uma greve por tempo indeterminado. Ontem foi a vez dos médicos e das enfermeiras dos hospitais da segurança social.
O presidente peruano falou que o país precisa continuar avançando e destacou que seu governo está fazendo grandes esforços para atender às demandas sociais sob os princípios de prudência fiscal e manobras econômicas responsáveis.
Toledo afirmou também que a tolerância tem limites.
Professores Os professores peruanos decidiram manter a greve por tempo indeterminado apesar de o governo do presidente Alejandro Toledo ter decretado o estado de emergência, anunciou ontem Nílver López, principal dirigente do sindicato da categora. ''Vamos continuar a greve, os professores continuarão na luta'', disse López, secretário-geral do Sindicato Unitário de Trabalhadores da Educação (Sutep), que lamentou ter que chear a essa medida.
Após a instauração do estado de emergência pelo presidente Toledo na terça-feira, o ministro da Educação, Gerardo Ayzanoa, declarou ilegal a paralisação dos cerca de 300.000 professores, que começou no dia 12 deste mês.


