Embora a terceira colocada nas eleições de domingo no Peru, Lourdes Flores, não tenha ainda admitido a derrota, projeções baseadas nos resultados oficiais parciais divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, pelas iniciais em espanhol) confirmavam ontem que a disputa pela presidência do país será decidida no segundo turno, entre o economista Alejandro Toledo e o ex-presidente Alan García Pérez. Com 53,7% dos votos apurados, Toledo liderava com 36,26%, seguido por García, com 26,20%, e por Lourdes, com 23,66%.
‘‘Praticamente todas as mesas do distrito de Lima-Callao já foram escrutinadas’’, disse a gerente-geral do instituto de pesquisa Imasen, Giovana Peñaflor. ‘‘Nesse distrito se concentrava o eleitorado mais significativo de Lourdes Flores, de onde se conclui que a diferença dela para García deva aumentar.’’
‘‘Uma diferença de 10 ou 11 pontos percentuais é muito pequena para dar tranquilidade a Toledo, que, apesar de ter obtido mais votos no primeiro turno, acabou fracassando no seu principal objetivo, que era o de evitar o segundo turno ou, pelo menos, conseguir uma votação acima dos 40% que obteve na eleição do ano passado’’, declara Giovana. ‘‘A situação de Toledo complica-se ainda mais quando ele tem de confrontar-se com Alan García, cuja candidatura vem num crescimento constante e tem grande domínio de cena. É quase um consenso entre os analistas que um debate eleitoral acabaria por beneficiar o ex-presidente.’’
Para o professor de História Econômica e Relações Internacionais da Unesp, o peruano Enrique Amayo, Toledo deve mobilizar as classes C, D e E da população peruana para obter os votos necessários a fim de vencer no segundo turno. ‘‘Grande parte da população indígena do interior do país pode fazer a diferença em favor de Toledo porque se identificam mais com ele do que com García’’, declarou Amayo. Sobre o destino do país depois da posse do novo presidente, em 28 de julho, Amayo é categórico: ‘‘Se vencer García, haverá um retrocesso político no Peru, uma situação semelhante a do fim dos anos 90, que ajudou a justificar a chegada de (Alberto) Fujimori ao poder. Já Toledo é a esperança de algo novo, dissociado da velha política representada por García.’’
O segundo turno deve se realizar no prazo de 30 dias após a publicação do resultado oficial – o que ocorre somente na semana que vem. As projeções indicam que o partido de Toledo, o Peru Possível, obterá 41 do total de 120 cadeiras do Congresso. O Partido Aprista (sucessor da histórica Aliança Popular Revolucionária Americana, Apra) deve obter 29 cadeiras e a Unidade Nacional, de Lourdes Flores, 15.
Toledo interrompeu ontem de manhã uma reunião política na sede do partido de García, em Lima, para cumprimentá-lo pela passagem para o segundo turno.
Por meio do porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, os EUA felicitaram o governo peruano pela organização de um processo eleitoral ‘‘limpo e tranquilo’’.

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