Peru critica ''circo'' na prisão de Feliciano
Associated Press
De Lima
Políticos da oposição e jornais do Peru lançaram dúvidas ontem sobre as reais circunstâncias da captura do líder do grupo rebelde Sendero Luminoso, Oscar Ramírez Durand, ou Feliciano - cuja prisão foi anunciada anteontem -, e criticaram o governo por tentar tirar proveito político do caso. Feliciano comandava a guerrilha desde 1993, depois de o ideólogo e fundador do grupo, Abimael Guzmán, ter sido preso. Ele vinha sendo caçado pelos militares desde então.
Entre as dúvidas levantadas, a principal diz respeito à real data da captura do guerrilheiro. De acordo com o analista político Carlos Reyna, há indícios de que Feliciano foi preso muito antes da data anunciada pelo presidente Alberto Fujimori. Pela versão oficial, o guerrilheiro foi preso ao final de uma ação conjunta das Forças Armadas que durou 40 dias na região do Departamento (província) de Junín e ganhou o codinome de Operação Cerco.
Entretanto, para os peruanos mais céticos, tudo não passou de um teatro, armado para que Fujimori lucrasse politicamente com a vitória sobre a subversão num momento em que o Peru estava sujeito à crítica da comunidade internacional por causa da decisão de não acatar os termos da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.
Fujimori esperava o momento oportuno para anunciar a prisão, disse um deputado opositor. Já não há cerco; o que há é circo, estampou ontem em manchete o jornal de Lima Referéndum, que faz oposição a Fujimori.
Embora nenhuma pesquisa tenha sido feita após a prisão do líder rebelde, os analistas tem como certo que ela contribuirá para o aumento da popularidade de Fujimori. O presidente tenta driblar a Constituição do país para poder apresentar-se como candidato a um terceiro mandato nas eleições do ano que vem.





